Flores da esponjeira
Esponjeira:
Devemos ainda lembrar que o caule e os galhos exsudam quantidade elevada de goma, sob a forma de lágrimas transparentes, a qual passa por ser melhor que a “goma-arábica”, substituindo-a com vantagem e tendo várias outras aplicações nas Artes e na Medicina. A origem desta espécie é muito controvertida, posto haja agora tendência para reconhecê-la indígena do sul da Ásia; o indigenato vem sendo atribuído, conforme a época e os viajantes, à Austrália, à América tropical, à Angola e até à República Dominicana (pelo simples fato de ter sido coletado ali o exemplar-tipo); a verdade é que se trata de uma planta vulgaríssima em todas as regiões quentes dos dois hemisférios. No meio-dia da Europa é apenas e francamente subespontânea, como ocorre sempre que se faz durante longos anos uma determinação para uma espécie de cultura. No Brasil acha-se dispersa desde Pernambuco e Minas Gerais, até o Rio Grande do Sul e Mato Grosso, talvez muito mais freqüente nos dois últimos; em todos, porém, é cultivada, porventura mais intensamente em São Paulo, onde o próprio Governo, durante largo tempo, distribuiu gratuitamente muitos milhares de mudas. Desde quase um século que foi reconhecida a extrema afinidade da Acácia Farnesiana e Mimosa cavenia, até mesmo admitida a fusão das duas, para constituírem, como afinal parecem constituir^ uma só espécie botânica, sendo hoje bem conhecidas todas as formas intermediárias entre uma e outra, nada mais faltando que o encontro, no estado silvestre e no extremo sul do nosso continente (Brasil austral, Argentina, Paraguai, Uruguai, Patagônia, Chile), da A. Farnesiana que, aliás, aí existe em quantidades imensas, sempre parecendo não haver sido introduzida. Esta exigência, negando o cosmopolitismo das espécies, não podem mais persistir, visto que grandes autoridades, nos mais recentes trabalhos, confirmam outros anteriores, admitindo que se trata de uma só espécie com duas formas, distintas apenas por caracteres de pouca importância; na Farnesiana, considerada como tipo, os folíolos são maiores (2 a 4mm de comprimento) e as flores “mais aromáticas”. São, sob o ponto de vista botânico, mesmo muito rigoroso, tão insignificantes as diferenças, únicas constatadas, que não justificam o ter-se mantido uma tal dúvida durante dezenas de anos. A.A. cavenia será, quando muito, uma variedade, aliás não mais comum no Rio Grande do Sul, da Farnesiana. Até ulteriores estudos, podemos manter-lhe os nomes vulgares Espinilho, Nhandubay e Nhan-duvá, relembrando que, segundo Beille, a essência desta variedade contém 40-50% de “eugenol”, 8% de éter metisalicílico, 20% de álcool benzílico e um pouco de geraniol, sendo igualmente utilizada na perfumaria. A dureza da testa das sementes dificulta muito a sua germinação, por cujo motivo são sempre imergidas em água dois ou mais dias, friccionadas até desgastar a testa de.um lado, tratadas pelo álcool ou pelo ácido sulfúrico concentrado, etc; estudos recentes demonstraram de modo formal que se obtém a uniformidade de germinação e de crescimento lançando as sementes em água a ferver e cobrindo-as com sacos, em recinto fechado, durante três a quatro dias. No Sul de Mato Grosso e no vale do Rio Paraguai chamam espi-nillaes às extensões de terreno em que predominam esta espécie e a Prosopis algarobilla Griseb. Na Bahia chamam-na coroa–de-cristo e Coronacris; no Ceará, de coronha e em Mato Grosso e no Pará, de esponja. No Rio Grande do Sul dão-lhe a denominação de espinilho. Assim nos vários países ela é denominada de maneira diferente, sendo que nos Estados Unidos é conhecida como casha e em Cuba, como aroma amarilla. Outra espécie, a Parkia ulei Kuhlmann, árvore grande, às vezes muito alta (18m ou mais), ramos quase glabros ou aveludado-pubescen-tes e angulosos ou subcilindricos na parte superior, cilíndricos ou subcilindricos na inferior; folhas pecioladas, bipinadas até 21 cm de comprimento, pecíolo comum curto-aveludado-tomen-toso, munido de glândula grande, oblonga na base, angulosa, pinas 12-20 jugas, raque pubescente ou glabra; folhas 30-60 jugas; folíolos sésseis, lineares, oblíquos na base e arredondados ou subtruncados ou obtusos no ápice, glabros; flores perfumadas, reunidas em pequenos capítulos globosos, multifloros, pedunculados, primeiramente brancos e depois amarelados, ave-ludado-pubescentes enquanto jovens e dispostos em panícula terminal ampla, divaricada e de eixo anguloso; pedúnculos solitários crassos, angulosos; o fruto é uma vagem avermelhada. Na Amazônia chamam-na também paricá.












