25 de outubro de 2010

Flores da esponjeira

Esponjeira:
Devemos ainda lembrar que o caule e os galhos exsudam quantidade elevada de goma, sob a forma de lágrimas transparentes, a qual passa por ser melhor que a “goma-arábica”, substituindo-a com vantagem e tendo várias outras aplicações nas Artes e na Medicina. A origem desta espécie é muito controvertida, posto haja agora tendência para reconhecê-la indígena do sul da Ásia; o indigenato vem sendo atribuído, conforme a época e os viajantes, à Austrália, à América tropical, à Angola e até à República Dominicana (pelo simples fato de ter sido coletado ali o exemplar-tipo); a verdade é que se trata de uma planta vulgaríssima em todas as regiões quentes dos dois hemisférios. No meio-dia da Europa é apenas e francamente subespontânea, como ocorre sempre que se faz durante longos anos uma determinação para uma espécie de cultura. No Brasil acha-se dispersa desde Pernambuco e Minas Gerais, até o Rio Grande do Sul e Mato Grosso, talvez muito mais freqüente nos dois últimos; em todos, porém, é cultivada, porventura mais intensamente em São Paulo, onde o próprio Governo, durante largo tempo, distribuiu gratuitamente muitos milhares de mudas. Desde quase um século que foi reconhecida a extrema afinidade da Acácia Farnesiana e Mimosa cavenia, até mesmo admitida a fusão das duas, para constituírem, como afinal parecem constituir^ uma só espécie botânica, sendo hoje bem conhecidas todas as formas intermediárias entre uma e outra, nada mais faltando que o encontro, no estado silvestre e no extremo sul do nosso continente (Brasil austral, Argentina, Paraguai, Uruguai, Patagônia, Chile), da A. Farnesiana que, aliás, aí existe em quantidades imensas, sempre parecendo não haver sido introduzida. Esta exigência, negando o cosmopolitismo das espécies, não podem mais persistir, visto que grandes autoridades, nos mais recentes trabalhos, confirmam outros anteriores, admitindo que se trata de uma só espécie com duas formas, distintas apenas por caracteres de pouca importância; na Farnesiana, considerada como tipo, os folíolos são maiores (2 a 4mm de comprimento) e as flores “mais aromáticas”. São, sob o ponto de vista botânico, mesmo muito rigoroso, tão insignificantes as diferenças, únicas constatadas, que não justificam o ter-se mantido uma tal dúvida durante dezenas de anos. A.A. cavenia será, quando muito, uma variedade, aliás não mais comum no Rio Grande do Sul, da Farnesiana. Até ulteriores estudos, podemos manter-lhe os nomes vulgares Espinilho, Nhandubay e Nhan-duvá, relembrando que, segundo Beille, a essência desta variedade contém 40-50% de “eugenol”, 8% de éter metisalicílico, 20% de álcool benzílico e um pouco de geraniol, sendo igualmente utilizada na perfumaria. A dureza da testa das sementes dificulta muito a sua germinação, por cujo motivo são sempre imergidas em água dois ou mais dias, friccionadas até desgastar a testa de.um lado, tratadas pelo álcool ou pelo ácido sulfúrico concentrado, etc; estudos recentes demonstraram de modo formal que se obtém a uniformidade de germinação e de crescimento lançando as sementes em água a ferver e cobrindo-as com sacos, em recinto fechado, durante três a quatro dias. No Sul de Mato Grosso e no vale do Rio Paraguai chamam espi-nillaes às extensões de terreno em que predominam esta espécie e a Prosopis algarobilla Griseb. Na Bahia chamam-na coroa–de-cristo e Coronacris; no Ceará, de coronha e em Mato Grosso e no Pará, de esponja. No Rio Grande do Sul dão-lhe a denominação de espinilho. Assim nos vários países ela é denominada de maneira diferente, sendo que nos Estados Unidos é conhecida como casha e em Cuba, como aroma amarilla. Outra espécie, a Parkia ulei Kuhlmann, árvore grande, às vezes muito alta (18m ou mais), ramos quase glabros ou aveludado-pubescen-tes e angulosos ou subcilindricos na parte superior, cilíndricos ou subcilindricos na inferior; folhas pecioladas, bipinadas até 21 cm de comprimento, pecíolo comum curto-aveludado-tomen-toso, munido de glândula grande, oblonga na base, angulosa, pinas 12-20 jugas, raque pubescente ou glabra; folhas 30-60 jugas; folíolos sésseis, lineares, oblíquos na base e arredondados ou subtruncados ou obtusos no ápice, glabros; flores perfumadas, reunidas em pequenos capítulos globosos, multifloros, pedunculados, primeiramente brancos e depois amarelados, ave-ludado-pubescentes enquanto jovens e dispostos em panícula terminal ampla, divaricada e de eixo anguloso; pedúnculos solitários crassos, angulosos; o fruto é uma vagem avermelhada. Na Amazônia chamam-na também paricá.

24 de outubro de 2010

Tudo sobre planta esponjeira

Planta esponjeira:
A casca é adstringente, tanífera a anti-rcumática, com emprego na indústria da tinturaria; as folhas, que passam por ser anti-odontálgicas e úteis nas afecções da bexiga, bem assim como na cura de chagas, secas e pulverizadas constituem, quando antes da floração, uma boa forragem que o gado procura, mas que algumas pessoas entendem conveniente evitar, porque tal forragem dá mau gosto à carne. Os frutos (vagens), conhecidos no comércio oriental pelo nome de Balibabulah ou balibulah, são ricos em tanino, exalam cheiro aliáceo idêntico ao da raiz e, além de servirem para o curtume e para tingir em preto, ainda a sua decocção ou o seu cosimento têm bom emprego como anti-disentéricos e úteis nas variadas doenças dos olhos, da garganta, das mucosas e da pele; a polpa que envolve as sementes, verde ou madura, é emoliente e empregada em em-plastros nos tumores e furúnculos, a fim de apressar-lhes a maturação; as sementes, julgadas excessivamente venenosas, foram antigamente utilizadas contra a hidrofobia e parece que, trituradas, dão um suco viscoso que serve também para soldar a louça quebrada. — Não obstante as diversas virtudes ou propriedades medicinais e industiais, que acabamos de assinalar, a verdade é que a única parte valiosa desta Mimosácea consiste nas suas flores, mais simpáticas do que belas, reputadas inseticidas e antispasmódicas, as quais perfumam as roupas e já entraram na composição de ungüentos contra as dores de cabeça e de infusões antidispépticas, culminando na água distilada, suavemente perfumada, a que se atribuíam outras propriedades, tais como estimulantes e afrodisíacas; estas flores, erradamente denominadas cássia flowers no comércio anglo-americano, são ricas em “farnesol” e fornecem 0,084% de óleo essencial ama-relo-esverdeado e viscoso (huille à la Cassie, dos franceses), de perfume igual ao da Violeta, porém mais intenso, de grande emprego na indústria de perfumaria da Europa, principalmente francesa, pois é a base de numerosa e talvez da maior quantidade de perfumes para lenços, assim como dos óleos fixos e pastas para toucador, ao mesmo tempo que é um dos elementos de prosperidade da Cote d’Azur, designadamente de Grasse, e também da lavoura da Argélia. As flores, mesmo secas, conservam o aroma e conseqüentemente mantêm sempre o seu elevado preço normal; um quilo de flores dá 3 a 4g de essência e uma planta adulta dá 500 a l.OOOg por safra, somente a França consome anualmente 150.000 quilos de flores, dos quais 20.000 vão da Argélia. Vê-se por esses números, num campo tão restrito, quão grande é o número de arbustos em plena produção.

23 de outubro de 2010

Planta esponjeira

ESPONJEIRA (Parhia ulei, Kuhl.).
Família das Legu-minosas, divisão Mimosácea. Arbusto grande, até 9m de altura, também árvore pequena, até 5m de altura e 45cm de diâmetro, de caule mais ou menos tortuoso, assim como os galhos, que são quase horizontais e emitem ramos e ramúsculos divergentes, contorcidos, formando em conjunto uma copa achatada, todos glabros, armados de acúleos espiculares, setáceos, gemi-nados, brancacentos, até 5cm de comprimento, muito rígidos; casca pardacento-ferruginosa, fendida, rugosa, suberosa nos indivíduos velhos; folhas composto-bipinadas dc 5-10cm de comprimento, com uma pequena glândula sobre o pecíolo e 5-8 pares de divisões primárias; pecíolo e raque comuns pubescen-tes; folíolos 10-25 pares, lineares ou linear-oblongos, obtusos, até 7mm de comprimento e lmm de largura, glandulosos, glabros, flores regulares, hermafroditas e com numerosos estames, muito perfumadas, de cor amarelo-vivo, dispostas em densos capítulos axilares e globosos, de 12mm de diâmetro, solitários ou geminados e desigualmente pedunculados; o fruto é uma vagem indeiscente subeilíndrica, oblonga, linear, curto-estipi-tada, estriada, intumescida, às vezes um pouco arqueada, gla-bra, até 7cm de comprimento e 15mm de largura, com gros-sura igual a esta última, contendo abundante polpa esponjoso–carnosa separando as sementes, que são duras e pardas, dispostas obliquamente em duas séries. Fornece madeira de alburno branco ou amarelado e cerne castanho-avermelhado ou vermelho com veios longitudinais escuros, exalando cheiro forte e agradável, muito fina e dura, grão compacto, raios visíveis, poros pequenos, singelos ou aos pares, de longa durabilidade, às vezes impropriamente chamada “pau-ferro”, de bom emprego, quando as dimensões o permitem, para dormentes, construção civil, esteios, carroçaria (especialmente eixos e rodas), cilindros para moendas e iguais peças de resistência, cabos para instrumentos, lenha e carvão, parecendo conter de 7 a 13% de tanino; peso específico 0,780 a 0,830. As raízes têm odor aliáceo e são consideradas antídoto do veneno que se supõe existir nas sementes, sendo que na Birmânia costuma o povo reduzi-las à pasta que aplica nos cascos dos animais como parasiticida, ao passo que no México (Potosí) muita gente acha-se convencida de sua propriedade no combate à tuberculose; o que está bem verificado é o fato de nelas se formarem c desenvolverem satisfatoriamente os nódulos causados pelas bactérias fixadoras de azoto, o que dá à planta certo valor como fertilizadora do terreno e explica o fato de sempre se haver julgado que ela é indício de terra boa para o plantio.