21 de setembro de 2010

Planta Doce amargo

Doce amargo.
Os frutos, antigamente tido como venenosos, estão reconhecidos inofensivos, pois encerram na casca apenas 0,3 a 0,7% de “solanina”; as folhas, usadas em cataplasma, têm efeitos calmantes e resolu-tivos, parecendo venenosas para o gado; os ramos, pela sua grande flexibilidade, servem para substituir o vime em várias obras trançadas, isto mais como curiosidade do que como indústria, mesmo doméstica; as raízes constituíam a base do famoso “elixir de amor”, tão celebrizado como ridicularizado na literatura e no teatro, ao qual, durante período bem longo, atribuiu-se a propriedade de tornar apaixonadas as pessoas que ingeriam a infusão charlatânica. Entre os mais formidáveis e eficientes golpes que esta recebeu, merece menção especial a brilhante partitura da ópera “Elisir d’amore”, do grande compositor Donizetti, que ainda agora se representa em todo o mundo, o passo que a superstição já desapareceu. A introdução na doce-amarga no Brasil é, decerto, muito remota, naturalmente apenas como ornamental, sendo muitíssimo comum nos jardins, onde é bastante atacada pelo Phyrdenus divergens Germ., vulgarmente conhecido como “broca do tomateiro”. Há as variedades integrifolium Wk, de folhas inteiras; e variegatis, Hort., de folhas variegadas. Originária da Europa, da Ásia e África boreais: Na Bahia, chamam-na de maria-preta, na Itália de corallina e, em Portugal, uva-de-cão.

18 de setembro de 2010

Doce amargo

DOCE AMARGA (Salanum dulcamara, L.).
Família das Solanáceas. Sub-arbusto trepador, raízes fibrosas e caule elevandose até 4m (geralmente metade), apoiando-se sobre as plantas vizinhas; casca cinzenta, caules cilíndricos, frágeis e ramosos; ramos alongados e finos, flexuosos, flexíveis, verdes e pubescentes; folhas alternas, pecioladas, as inferiores inteiras, oval-acuminadas e mais ou menos cordiformes na base; as superiores quase sempre 3-lobadas, às vezes 4-5 lobadas, sendo os lobos profundamente separados e o terminal maior, verde-es-curos, glabros ou finamente pubescentes nas duas páginas, excepcionalmente tomentosos; flores roxas ou azuis, raramente brancas, com mácula esverdeada na fauce, dispostas em racimos corimbiformes, longo-pedunculados, extra-axilares, laterais ou terminais; o fruto é uma baga ovóide, pequena, pêndula, vermelha quando madura, circulada na base pelo cálice persistente e contendo sementes reniformes. Essa planta contém, principalmente, no caule e na base dos pecíolos, o alcalóide “sola-nina”, estupefaciente enérgico, o qual causa violentas convulsoes e paralisa os membros inferiores, sem entretanto dilatar as pupilas; contém ainda o glicosido “dulcamarina”, primeiramente amargo e depois doce, que o ácido sulfúrico desdobra em açúcar, e “dulcamaretina”; o extrato amargo-doce “picroglycion”, mistura de “solanina” e de açúcar, e, finalmente, resina contendo ácido benzóico, cera verde, glúten, extrato gomoso e diversos sais. Os efeitos da sua ingestão em alta dose, que aliás não são constantes, apresentam a seguinte marcha: “Sequidão da faringe, vômitos, ansiedade, picadas na pele, sobretudo nos órgãos geniturinários, evacuações alvinas, transpiração e diurese abundantes, cãimbras, movimentos convulsivos das pálpebras, dos lábios e das mãos, vertigens e insônia”, (Heraud), sendo que não se conhece caso algum fatal. Desde época remotíssima que se vinham atribuindo a esta espécie inúmeras virtudes medicinais que, afinal, acham-se reduzidas a um excelente depurado, recomendado no catarro pulmonar crônico, nos acidentes sifilíticos, nas dores gotosas e reumatismais e em certas afecções cutâneas, tais como herpes e eczemas.