3 de maio de 2009

Composição da Abutua

abutua

Entra na composição do curare dos aborígines Temanas, porém sua ação fisiológica é muito diversa da que normalmente possui esse poderoso veneno Sagitário”. Escreveu o autor do “Dicionário das plantas úteis do Brasil” a respeito da verdadeira abutua, a Chondodendron platyphyllum, Miers, abundante nos Estados do Rio, Paraná, Espírito Santo e Minas Gerais: “Fruto composto de 3/6 drupas elipsóides, ou ovóides, curto-pedunculadas, contendo polpa vermelha, comestível, agradável ao paladar, envolvendo uma semente sem albúmen e de sabor amargo. É esta uma das plantas brasileiras que têm despertado maior atenção no mundo científico e provocado importantíssimas investigações químicas e fisiológicas, desde que pela primeira vez chegou à Europa (1688) até há pouco, levadas ao melhor termo no Museu Nacional do Rio de Janeiro (Lacerda). Seu valor reside na raiz, a parreira brava da farmacopéia universal, de cor amarelada ou parda-centa, eficaz contra numerosas afecções (anemia, clorose, dis-pepsias atônicas, cálculos renais, febres intermitentes, eólicas uterinas, menstruações difíceis ou supressão dos lóquios, hidropisia, orquites etc. etc, com ação especial sobre as fibras musculares, que tonifica, facilitando assim a boa digestão; atua também sobre o catarro vesical e sobre a mucosa uterina podendo, até, produzir aborto, se a dose for excessiva. Contém o alcalóide pelosina, enérgico veneno paraliso-muscular, cuja ação se localiza principalmente sobre os músculos lisos dos vasos, causando o enfraquecimento progressivo do coração e logo após a morte (Lacerda): dois centímetros cúbicos da solução do extrato bastam para matar em poucos minutos. É, portanto, um medicamento tóxico de uso altamente periculoso; os antigos jesuítas, porém, fizeram dele extenso e inteligente emprego no combate às febres palustres, pois hoje sabemos que a pelosina é um sucedâneo da quinino.

Abutua

abutua

ABUTUA

(Abuta Candollei, Tr. e PI.). A abutua pertence à família das Menispermáceas. É o nome vulgar de várias plantas desta família. É um arbusto trepador, de caule lenhoso e folhas longo-pccioladas, coriáceas. Cresce no Amazonas. Outras variedades: Abuta concolor, Poepp. Abuta Selloana, Eich, Abuta rufescens, Aubl. Sobre a Abuta rufescens, Aubl, declara Pio Correia: “Fornece raiz grossa, acre e amarga, muito reputada como tônica, estomáquica, antidispéptica, emenagoga e diurética, útil nas hepatites, doenças da bexiga, hidropisia, catarro, eólicas flatulentas e mordeduras de cobras, sucedânea da Chon-dodendron platyphyllum, Miers c freqüentemente misturada com ela. É planta tóxica, conforme a zona do país, entra na composição do notável veneno indígena curare, hoje muito bem reputado na farmacopéia universal”. A propósito da Abutuado-Amazonas, (Cocculos Amazonum M.) elucida o mesmo autor: “É planta tóxica; o extrato da casca do caule tem por efeito a paralisação dos vasos sangüíneos, diminuindo a tensão do sistema arterial, de modo a fazer cessar o movimento rítmico e circular do sangue (Lacerda).