
Processo curativo:
Este deve ser mais do tipo higiênico, considerando que não se trata de um fato isolado, mas que está vinculado a uma outra série de fenômenos que provocam as palpitações, e se este processo não desaparecer, é claro que as palpitações também não desaparecerão.
Aos que sofrem de palpitações queremos lembrar que, como medida higiênica e preventiva, devem suprimir completamente o fumo e o café, como qualquer outra coisa que possa produzir estados de excitação geral, como os excessos na mesa, a fadiga e as emoções fortes de qualquer tipo. O doente não deve se preocupar com qualquer coisa, deve esquecer os negócios e os problemas ou qualquer outra coisa que possa lhe trazer algum desgosto.
Quando as palpitações são .de origem puramente nervosa, é proveitosa uma infusão de tília, à qual se acrescenta uma meia colherinha de café de brometo de potássio.
Quando as palpitações se manifestam num indivíduo anêmico, é conveniente, neste caso, que o doente tome vinho ferruginoso, ou quinado se não tiver apetite, ou então que tome um cálice de vermute ou de qualquer outra substância amarga aproximadamente meia hora antes das refeições.
Com estes métodos é possível curar perfeitamente as palpitações, ou pelo menos aliviá-las em grande parte.

Sintomas:
Essa intensidade e freqüência referidas podem variar bastante, conforme as causas que provocam o acesso em cada caso particular.
Quando o acesso é fraco, a enfermidade ou o fenômeno se reduzem a sentir um pouco de pressão no tórax, acompanhada de dor na região do coração.
Quando o acesso é mais violento, as batidas se fazem muito mais freqüentes, até audíveis, desordenadas, às vezes tumultuosas, aumentando a dor na região do órgão. Neste caso, o paciente é tomado por grande angústia: seu rosto se torna lívido, sente dificuldade em respirar, suas extremidades às vezes esfriam e está perto de uma síncope. A intensidade do pulso varia conforme as circunstâncias: às vezes é forte e resistente, outras, branda e fraca.
O doente que apresente estes sintomas pode realmente afirmar que padece de palpitações do coração e deve imediatamente começar um tratamento, antes que se manifeste a hipertrofia e a situação se complique.

Doenças do coração.
Palpitações: Em si, as palpitações do coração não constituem uma autêntica enfermidade, mas apenas uma manifestação de um outro distúrbio localizado no órgão, ou um simples fenômeno de índole neurovegetativa, geralmente passageiro, embora de alguma importância e digno da atenção do paciente, porque o esforço exagerado que o coração é obrigado a fazer vai forçosamente em detrimento da energia do próprio órgão, e a longo prazo pode resultar no que reza uma lição fisiológica: “O desenvolvimento de um órgão está em relação direta com seu exercício”, a dizer, no aumento do coração, resultando no que os médicos chamam de hipertrofia cardíaca.
Considerando, entretanto, o que foi dito e aceitando a definição de alguns estudiosos, diremos que as palpitações do coração são um espasmo doloroso deste, com aumento da freqüência e da intensidade de suas batidas.

Coração.
É o órgão central da circulação e tem, em média, um peso aproximado de 275 a 300 gramas. Situado na cavidade peitoral, em posição central e um pouco à esquerda, entre ambos os pulmões, é de natureza muscular e de tamanho aproximado de uma mão fechada em punho. Interiormente se divide em quatro cavidades: duas superiores, ou aurículas, e duas inferiores, ou ventrículos. Do ventrículo esquerdo sai a artéria aorta, que é a principal, porque irriga a cabeça, os braços, o tronco e as pernas, por meio de diversos ramais. Do ventrículo direito sai a artéria pulmonar, que leva o sangue venoso aos pulmões, onde se oxigena. Nas aurículas terminam os troncos venosos: na aurícula esquerda a veia pulmonar, cujas quatro ramificações trazem o sangue que foi purificado nos pulmões e o levam ao coração; na aurícula direita terminam as veias cava superior e inferior.

Finalmente, e para resumir, o que temos aqui – falando em termos gerais da obra – é um manual prático, que reúne as duas condições principais que devem caracterizar um livro científico: o fato de ser útil ou prático, e o fato de poder ser utilizado por pessoas leigas. Em suma, procurou-se oferecer ao leitor informação tão ampla quanto o permitiam as limitações de um texto literário, colocando em suas mãos meios, possivelmente desconhecidos de muitos, que servirão, sem qualquer dúvida, para melhorar o tratamento e a conservação da saúde.

Por isso um bom manual sobre plantas medicinais pode ser aceito e qualificado como jóia científica, que deve ser guardada como um tesouro, e diante dos primeiros sintomas de mal-estar geral, quando a doença ainda não começou seu processo dilacerante e corruptor, devemos consultá-lo e ministrar a planta que, pelos sintomas do paciente, pode atuar como um bálsamo benéfico, garantindo sua cura.
Aqui cabe uma ressalva: é óbvio que não podemos confiar unicamente no manual de plantas benéficas para curar totalmente uma doença, e quando percebemos que elas não têm poder suficiente para curar a enfermidade, torna-se necessário consultar imediatamente um médico, que será o único que poderá trazer uma solução e um remédio em determinados casos.
Para que possamos ter um máximo de conhecimentos específicos sobre a utilidade – ou inutilidade — das plantas para o corpo humano, o doutor Yarza, com louvável critério e precisão, dividiu a presente obra em duas partes fundamentais, clara e perfeitamente definidas, para melhor e maior compreenssão do leitor.
Na primeira parte apresenta, em rápido esboço e de forma elementar, acessível a todos, o que é a anatomia, quais as peças fundamentais que compõem nosso organismo, e também as principais ou mais freqüentes enfermidades do corpo humano e os métodos utilizados para curá-las, aplicando corretamente os elementos vegetais — as plantas — que estão a nosso alcance.
Na segunda parte relaciona, na forma de verbetes, as plantas que podem contribuir para um melhor sistema de vida, para um funcionamento quase perfeito do organismo, descrevendo suas propriedades curativas e a maneira de utilizá-las.
Será, pois, de grande utilidade a complementação desta obra com alguns conselhos sobre os preparados deste autêntico estudioso das plantas, deste mestre da Ciência Natural, que se chama Maurice Mességué. Por meio dele podemos aprender muito, e será ótimo que aprendamos tudo ao mesmo tempo.

Procura demonstrar, até com resquícios poéticos, a importância e utilidade do estudo do reino vegetal neste ponto de conexão tangencial com a saúde que, em determinadas ocasiões, mais que uma tangente, é um verdadeiro diâmetro que atravessa a existência do homem, como um raio de alívio e de esperança.
Se realmente compreendêssemos esta importância, muito se poderia ganhar em favor da saúde pública, do saneamento de aldeias, cidades, nações e do mundo em geral porque, em muitas ocasiões, bastaria uma aplicação correta de plantas medicinais para controlar, por exemplo, um vírus infeccioso que, propagando-se para outros indivíduos saudáveis, pode ser – e de fato é — o foco do qual se irradia uma verdadeira epidemia que causa um sem-número de vítimas.
Quantas vezes poderia ser evitada uma manifestação de febre tifóide administrando-se, por exemplo, uma infusão de ruibarbo ou de folhas de sena, quando a doença ainda se encontra no estágio de incubação!

Não podemos esquecer nunca que é saudável o que a natureza nos oferece sem exigir qualquer preço. São saudáveis estes milhares de plantas quecrescem para cima, para o alto, como um cântico em louvor Aquele que as criou.
Tudo o que escrevi até agora neste prefácio — e que alguns, talvez, achem monótono, supérfluo e vazio — é uma espécie de confidencia e, ao mesmo tempo, uma súplica. E algo como um segredo de confissão proclamado aos quatro ventos. É, definitivamente, tudo o que posso dizer, pedir e desejar ao mesmo tempo a essa multidão excêntrica e anônima que deve receber e à qual ofereço, com meus melhores sentimentos e intenções, estas páginas que vou preencher com dedicação e sacrifício.
Amigos leitores, aqui estão as plantas: vamos lhes prestar atenção e usá-las para fazer da vida um paraíso natural e fértil ao invés desta armadilha gigantesca que construímos e que, de segundo em segundo, se transforma na cova que receberá nosso corpo desfalecido… essa cova que conhecemos com o nome de túmulo.

Acredito que a meta de minha olimpíada vegetal-literá-ria já está claramente definida. Quero tento, ou pelo menos tentarei servir à humanidade que está se afogando no oceano de sua própria inconsciência, abrir os olhos deste ser privilegiado pelo seu dom do raciocínio dom que freqüentemente prefere ignorar e que numa corrida suicida vai se estatelar contra o muro da destruição, acredito, também, cumprir com um dever honroso e desinteressado de solidariedade para com meus semelhantes, colocando à disposição dos que sofrem voluntária ou involuntariamente um método mais ou menos bem delineado, mas extremamente eficaz e simples para aliviar seus males.
E com este intuito, inspirando-me nos sentimentos e tendo por guia a esperança de que o leitor saberá compreender quanto procuro lhe transmitir para o seu próprio bem, empreendo esta tarefa que me parece digna, e que não tem outra pretensão que a de ajudar a descobrir o que se encontra à vista de todos e que, por um estranho e incompreensível contra-senso, a maior parte procura ignorar. Parece que também neste caso podemos afirmar que “não há pior cego que aquele que não quer ver”.
Ficaria imensamente feliz, muito honrado e sobejamente recompensado se, no instante em que vou começar este manual de natureza viva, pudesse ter a certeza de que o leitor benevolente abrirá uma brecha em seus inúmeros afazeres cotidianos, nesta corrida contra o relógio que, não sei por que, chamamos de vida, quando ela tudo é, menos isso, para dedicar alguns minutos de atenção a este compêndio que não é um recurso de alquimia ou a pedra filosofal que garante a eterna juventude, aquela juventude que James Hilton nos promete no Shangri-La de seu “Horizonte Perdido” e que o fará lembrar-se de que, se não é a fonte da eterna juventude, ele tem, porém, a fonte da cura, do bem-estar, da saúde e até do prolongamento de sua longevidade nestas plantas ou ervas às vezes chamadas pejorativamente de “marinhos” que crescem ao seu redor, muito próximas, oferecendo a vida, a única vida autêntica e legítima, cujo ponto de partida, conceito e formação estão no velho aforis-ma: “Mente sã em corpo são”.