
E como o álcool, as drogas, o fumo e o sexo, mal empregados e pior utilizados, foram pouco para contribuir para os males e as misérias humanos, o homem se refugiou nas pílulas… para dormir, para não dormir, para trabalhar, para se animar, para estimular a luxúria, para não conceber — só para citar algumas —, renegando assim a natureza, da qual é parte viva e ativa, embora corrupta, mesmo quando se encontra fora do túmulo que finalmente irá recebê-lo.
Por todas estas razões, e por mais algumas que vou deixar de mencionar, já sei, agora, por que estou escrevendo: é porque não quero falar apenas das doenças, mas também, e sobretudo, das plantas medicinais que não são produtos de laboratório, medicamentos que se adquirem com uma simples receita, mas uma oferenda generosa da mãe natureza. Entretanto, terei que discorrer ligeira e superficialmente, porque é um assunto fértil e inesgotável que poderia abranger centenas de obras. Por outro lado, preciso reconhecê-lo — mea máxima culpa —, minha bagagem de conhecimentos é limitada, não me permitindo grandes alardes nem alegrias excessivas, restringindo um pouco a tarefa que acabo de me impor, porque seria inútil demorar-me mais sobre uma faceta que, se não é completamente ignorada, é ao menos pouco conhecida.

E fácil entender que, ao mencionar um caminho – a saúde, que eqüivale a saudável – estou me referindo à própria natureza, esta mesma natureza que, sem qualquer egoísmo, na exaltação suprema do altruísmo, nos oferece as fontes e as dádivas necessárias para cuidarmos de nosso corpo com a mais elementar simplicidade.
Disse que o homem é egoísta, fútil, presunçoso, que adora suas virtudes imaginárias e sua pseudo-inteligência, e que as transforma em divindades pagas, para passar a maior parte de sua existência ajoelhado diante do altar a que tão absurdamente se dedica; disse que o homem se destrói, e essas são verdades que ninguém pode contestar.
Em nossos dias o vício se alastrou imensuravelmente. O álcool, as drogas, o fumo, o sexo são motivos de uso e de abuso, aliás mais abuso que uso, utilizados de forma desmedida, sempre contra a natureza, e são a origem desta epidemia de males e enfermidades que acossam o number one da criação, onde quer que ele se encontre.
E Deus colocou a salvação e o remédio na própria natureza, povoando generosamente a Terra com seres desconhecidos chamados plantas, cuja utilidade, ignorada pela maioria, supera de longe esta produção maciça de medicamentos modernos que, concebidos em teoria para combater ou aliviar os males provocados pelos vícios do homem,” contribuem ainda mais, por causa do abuso a que já me referi, para a sua autodestruição.

A humanidade é desvairada e implacável consigo mesma, e a criatura — homem ou homo sapiens —, number one de toda a fauna que povoa nosso planeta, de norte a sul e de leste a oeste, espécime que, embora criado à imagem e semelhança de um Deus todo-poderoso, conforme a tradição bíblica, não herdou, em nenhum momento da história, sequer uma das muitas virtudes ou a inteligência suprema que são atributos deste inefável Criador.
O homem, presunçoso, fútil e egoísta, menospreza altivamente as fontes da vida que brotaram, ou já tinham brotado, e que o cercam desde a criação, como Adão e Eva menosprezaram o Paraíso Terrestre, entre o Tigre e o Eufrates, onde tinham tudo e nada souberam aproveitar.
O homem é atraído pelo fictício, pelo irreal, por tudo aquilo que ele mesmo cria para enaltecer seu intelecto limitado, para vangloriar-se e cultuar a inteligência terrena, que é tão efêmera quanto seu próprio corpo. Sente-se fascinado pelo vício e pela destruição, e, o que é pior, pela destruição contumaz e sistemática de si mesmo.
E possível que agora, nos parágrafos anteriores e sem querer, eu tenha encontrado o verdadeiro motivo que me levou a escrever este sitio. É o desejo sincero de apontar para o homem estes defeitos e pecados que levam ao seu próprio extermínio, por causa da persistente intolerância em ignorar o que é fácil, não admitir o que é simples, não aceitar as dádivas que o Criador colocou ao seu alcance, para transformar a vida num caminho sossegado e sadio, ao invés de uma trilha cheia de espinhos e corrupção.

Refleti demoradamente antes de iniciar estes primeiros compassos de minha obra, e agora, chegado o momento ou esta hora da verdade, como alguns gostam de definir as circunstâncias cruciais, continuo a desconhecer completamente as razões e os motivos que me levaram a dar vida e luz a este compêndio.
E provável que se me apresentem inúmeras razões válidas e que, exatamente por isso, não consiga escolher aquela que melhor possa definir para o leitor, ou como queira chamar-se. Deixemos que a indefinição sirva para que os leitores deste site avaliem por si mesmos o como e o porquê, a utilidade ou necessidade, o interesse ou a indiferença e, sobretudo, o aproveitamento particular de cada um no que diz respeito a este volume, no intuito de descobrir e me perdoem a falta de humildade as facetas que, embora conhecidas, ficam no esquecimento por razões tão confusas e desconhecidas como as minhas, na hora de explicar por que me decidi a usar a caneta sobre estas páginas.

VISCO (Viscum álbum, L.).
Família das Lorantáceas. O Visco ou visgo é planta lenhosa, parasita, que nasce sobre os ramos de diferentes árvores, principalmente dos carvalhos, nos choupos, alamos e na macieira. Suas bagas brancas e suas folhas, sempre verdes, servem de enfeites em festas populares. Como planta medicinal, o visgo tem sido usado desde a mais remota antigüidade e os médicos modernos o empregam ainda sob várias formas. É antispasmódico e redutor da pressão sangüínea. Suas virtudes são comprovadas por vários autores. Pela sua ação como hipotensor apresentou resultados convincentes em casos de hemoptises renintentes, ao ser empregada a mace-ração da planta em rum. É benéfico o seu efeito no sistema nervoso vasomotor nos casos de artcriosclerose. Já os antigos terapeutas a classificavam entre os antispasmódicos. Atualmente se prescrevem pílulas e outras aplicações à base viscina, que é uma substância espessa extraída do visco, de fórmula química Cfl Hji N, o que representa um reconhecimento científico de sua eficácia. Recomenda-se o seguinte preparado, sob forma de püula: extrato aquoso de visgo, 0,05, pó de alcaçuz Q, cada pílula na dose de 4 a 8 por dia. Em solução injetável aplica-se a seguinte fórmula; extrato aquoso de visgo, 0,20, solução fisiológico, lcm 3; ou ainda um xarope, à razão de 0,05 por colherada de chá: extrato aquoso de visgo, 0,50, xarope simples, 200g. Pode empregar-se também a maceração em vinho, usando 40g de planta fresca em l.OOOg de vinho branco, na dose de 130g por dia. A planta verde pode servir de alimento para os animais leiteiros, tendo como efeito o aumento do leite nas vacas. Os frutos podem ser dados às aves que muito os apreciam. Ainda com as suas bagas preparadas se costuma untar varas para caçar pequenos pássaros.

VIOLETA (Viola odorata, L.).
Planta da família das violáceas. A flor desta planta é caracterizada por um cheiro suavíssimo. As suas flores são de cor branca ou violeta, e as folhas em forma de coração, denteadas. Os rizomas são espessos e vivazes. Serve de ornato dos bosques e dos relvados de alguns jardins. A planta contém o ácido salicílico sob a forma de salicilato de metila. A raiz ou rizoma é vomitivo, calmante, béquico, ligeiramente laxativa e emoliente, principalmente as flores. A raiz tem efeitos vomitivos devido a uma substância acre que contém, denominada violina. Empregam-se as flores contra os resfriados, defluxos e a bronquite.

VERÔNICA (Verônica officinalis, L.).
A verônica é uma planta da família das Escrofulariáceas, outrossim chamada verônica-oficinal, erva-dos-leprosos e, por ser usada como sucedânea do chá, chá-da-europa. Existem numerosas espécies dessa planta. A verônica-oficinal, entretanto, possui quase as mesmas propriedades que as suas congêneres. A maioria dos médicos modernos, salvo os homeopatas, não lhe reconhecem nenhuma virtude. O próprio Dr. Leclerc não lhe reconhece nenhum valor medicinal, chegando mesmo a afirmar que a tisana da planta não surte maior efeito do que se fosse pura e simples água quente. . . Garnier informar que o seu nome vem da comparação medieval de sua flor com a impressão da imagem de Cristo sobre o linho com que a Verônica enxugou e limpou as chagas e o suor do rosto do Divino Mestre, mas outros autores acham contestável essa explicação. A planta contém ácidos orgânicos (acético, málico, láctico, cítrico, tartárico), tanino, manitol, um açúcar, um óleo e uma essência. Segundo Garnier, a planta teria propriedades digestivas, vulnerárias, eficazes na falta de apetite, na atonia intestinal e nas fortes cãibras no estômago. Daria bons resultados, igualmente, nas bronquites, contra o catarro dos brônquios. Como aperitivo indica-se a fórmula seguinte: folhas de verônica, 60g; folhas de cássis (cássida, groselha), 15g; folhas de balsamita (hortelã-romana), 15g; raiz de alcaçuz moída, lOg. Usar uma colherada de sopa da mistura numa xícara de água fervente. Deixar em infusão durante 20 minutos (uma xícara sem açúcar, cinco minutos antes das principais refeições). Além da verônica-oficinal, as outras plantas verônicas utilizadas são a verônica de espiga e a verônica teucrieta.

VERBENA (Verbena officinalis, L.).
Família das Ver-benáceas. Esta planta silvestre é muito comum dos terrenos incultos. Possui pequenas folhas denteadas e pequeninas flores cor de malva; Dá-se-lhe, no Brasil, o nome de jurujuba. Na rança é conhecida íguanneme pelos nomes de erva-de-vênus, erva-sagrada, erva-das-feiticeiras, erva-de-encantamentos. Emprega-se em Medicina toda a planta quando florida. Contém um glicosido, a verbenalina, que é um enérgico redutor, antinevrál-gico e febrífugo, sem ser tóxica. Diz-se que a verbena aumenta a secreção do leite e que nas parturientes ela mantém o tônus uterino. Certifica o Dr. Leclerc haver obtido bons resultados com o extrato fluido da planta estabilizada (uma ou duas colhe-radas de café desse extrato, por dia) em alguns casos leves de nevralgia do trigêmeo. Seu nome deriva do latim verbenare que significa bater, marcar, porque com ela se costumava assinar os tratados, sendo considerada planta sagrada. Desempenhava papel importante na vida política e nos ritos da liturgia, motivo porque manteve durante toda a Idade Média uma alta reputação. Existe outra espécie de verbena, denominada verbena odo-rífera (verbena odorata), cuja infusão perfumada é muito apreciada. Todavia, alguns autores fazem certas reservas a respeito desta última planta. Dizem eles que embora seja uma planta muito mais nobre, porque originária do Chile introduzida na Europa já no século xviii, ela pode causar irritações do estômago e provocar gastrites. Assim o seu uso deve ser feito com precaução.

VERBASCO (Verbascum phlomoides, L.).
Família das Escrofulariáceas. Erva dos países do Mediterrâneo, da qual existem duas espécies silvestres brasileiras. As flores, que são medicinais, se empregam contra tosses e rouquidões.

VARA DE OURO (Solidago virga áurea, L.).
Também chamada, virgáurea, solidago e erva-dos-judeus, a vara-de-ouro é uma planta pertencente à família das Compostas. Com espigas de pequenos capítulos amarelo-dourados, como o seu nome indica. Toda a planta contém tanino, mucilagem e uma resina odorante. É adstringente, diurética e vulnerária. É recomendada nas moléstias da bexiga e dos rins, areia na urina, seqüelas da escarlatina, enterite, e diarréias, em casos específicos. A decocção é preparada em 10 minutos, na medida de 30g por litro de água. Deixa-se a.planta em infusão durante 12 horas, antes de filtrar. Ê necessário tomar 500g desta tisana durante um dia. A eficácia de todas as plantas anti-reumáticas é tão comprovada que muitas delas são industrialmente preparadas, sendo certo que se vendem anualmente em todo o mundo milhões de caixas contendo misturas e tais plantas, representando toneladas de folhas, flores e raízes e cascas, o que significa que a prática do tratamento de moléstias com o uso de plantas medicinais não é um simples conhecimento para uso caseiro.