
PULMONÁRIA (Pulmonaria officinalis, L.).
A pulmo-nária é uma planta da família das Borragináceas. É ligeiramente penugenta, e possui flores azuis ou avermelhadas, e suas folhas são verdes, com manchas mais claras que a tornam semelhantes, embora de longe, a um corte do pulmão, derivando-se daí o seu nome. Os efeitos da pulmonaria, como medicamento, são contestados na atualidade. Chamam-na também de erva-de-leite-de–n. senhora e salva-de-jcrusalém, bem como erva-do-pulmão e erva-cardíaca. Trata-se de planta muito apreciada pelos antigos, mas cujas virtudes não coresponderam às esperanças que nelas se depositavam. Ao que parece, a planta possui virtudes béqui-cas, isto é, contra a tosse; é também calmante e emoliente. Todas as suas partes são ainda empregadas na Medicina doméstica. Para uso interno, emprega-se a infusão; e no uso externo é utilizada em forma de loções contra as rugas, espinhas e rachadu-ras dos seios. Dizem que as cataplasmas aplicadas sobre a região do coração acalmam e fazem cessar as palpitações…

PIROLE (Pyrola rotundijolia, L.). A pirole é planta vivaz, isto é, não-anual e que pode durar anos. É encontrada nos terrenos esponjosos. Pertence à família das Piroláceas, vizinha das Ericáceas, de que faz parte o tojo ou urze. Nas Américas existe outra espécie com as mesmas propriedades da européia: é a pirole de umbela. A “Revue de Phytothérapie”, num artigo do Dr. Decaux, informa que a planta é usada há muito tempo e que tem propriedades análogas às da uva-ursina. As análises químcas revelaram que a pirole contém açúcar de cana, glicosido e arbutina. Durante a dissecação os componentes da planta não se modificam muito, pelo fato de encerrar pouca substancia fermentante. Com a arbutina foi encontrada na pirole a ericolina e uma flavona, a quimafilina. Graças à sua composição química a planta encerra propriedades diuréticas acen-tudas. Usada sob a forma de extrato fluido na dose de 15 a 20 gotas duas vezes por dia, antes das refeições, a pirole deu resultados tangíveis, particularmente diuréticos. Pode também ser utilizada como infusão, em 5 por mil, na dose de duas ou três xícaras diárias.

PINHO-SILVESTRE (Pinus silvestris, L.).
Família das Araucariáceas. O pinheiro ou pinho-silvestre é de todos conhecido pelas suas propriedades béquicas e sua eficácia contra as afecções pulmonares, o que se deve a uma resina que, por nes-tilação, fornece a essência de terebintina, cujas virtudes bactc-ricidas são comprovadas. Trata-se de um ginosperma que partilha tais propriedades com um bom número de outras plantas do mesmo grupo: o abeto, o pinheiro-alvar, o lárix ou lariço, a epícea, que é o mesmo pinheiro-alvar. Estas plantas agem sobre o catarro dos brônquios, sendo empregadas também em uso externo nas nevralgias e reumatismos, em fricções sobre as partes doloridas. No uso interno emprega-se a infusão de brotos de pinheiro (30 a 40g por litro) e o xarope (100 a 200g). A resina do pinheiro já era usada pelos egípcios, por Hipócrates e pelos médicos árabes. A gama de suas aplicações sofreu alguma redução, mas devido à essência de terebintina que a planta contém, continua sendo recomendada a sua utilização.

PASSIFLORA (Passijlora ihcarnata).
Pertence à família das Passifloráceas, nome que se lhe deu por causa da semelhança que os órgãos da flor têm com os instrumentos da Paixão de Cristo. É planta das regiões tropicais, originária da América, mas que se aclimatou bem na França. Tem a forma de cipó lenhoso, dispondo de gavinhas, sendo muito decorativa. Com um pouco de imaginação pode-se encontrar na planta as figuras dos instrumentos da Paixão de Cristo: as cores do arco-íris, a coroa de espinhos, os pregos da cruz, os relâmpagos… A planta possui virtudes sedativas quando empregada sob a forma de tintura (2 a 5g) ou de extrato fluido (la 3g). Não causa depressão. Recomenda-se o emprego da alcoolatura da passi-flora fresca (30 a 50 gotas por dia). A planta surte bons efeitos particularmente na insônia e em alguns estados nervosos.

PARIETÁRIA (Parietaria officinalis, L.).
A parietária é uma pequena planta verde, de folhas alongadas e flores verdes. Pertence à famflia das Urticáceas e cresce sobre os muros velhos, de onde deriva o seu nome. Parece-se um pouco com a urtigabrava, mas não é picante e as suas folhas não são denteadas. E desde longa data conhecida como diurética. Chamam-na também de alfavaca, saxifrágia, erva-de-nossa-senhora, erva-de-vi-dro, vitríolo, sendo que, por estes últimos três nomes, é mais conhecida na França. Floresce de julho a outubro e pode ser colhida durante todo o verão. Contém azotato de potassa, muci-lagem e enxofre. Sua infusão tem efeitos diuréticos e é refres-cante e emoliente. A tisana é preparada com 30g da planta para cada litro de água e se toma em copo grande, várias vezes ao dia. Alguns autores recomendam o pó da parietária incorporado ao mel para o tratamento da asma e da tísica pulmonar. Aplica-se também em uso externo. Cozida com banha de porco e aplica-se quente sobre a garganta, ela cura a angina. Obtém-se excelente ungüento contra as queimaduras e as contusões, para o que se cozinha um punhado de folhas da parietária, até a consistência necessária, num vaso vitrificado, juntamente com 20g de farelo e de farinha de favas, 15g de água de malva e um vidro de óleo e vinho.

Pertence à família das Papaveráceas, a que também pertence a dormideira, com a qual partilha as propriedades narcóticas, bem mais fracas nesta última, podendo ser útil aos doentes que não suportam o ópio. A planta contém pigmentos vermelhos, anticianóticos e traços de alcalóides, “rhoeadine”, “rhoea-rubine”, etc. Tem virtudes sedativas e peitorais, sendo ligeiramente narcótica e sudorífica. Emprega-se sob a forma de infusão (2 a 3g) em meia xícara de água fervente, na dose de duas a três xícaras por dia. Também é indicada sob a forma de xarope. Uma infusão de cápsulas de papoula, à razão de 3 ou 4 colhe-radas no leite, proporciona sono tranqüilo às crianças. Aconselha-se também a lavagem feita com uma mistura, em partes iguais, de óleo de oliva e a tisana de papoula, para estancar a diarréia.

PAPOULA (Papaver Rhoeas, L.). A papoula, muito citada, principalmente porque dela se extrai o ópio, é uma flor vermelha muito bonita, que desabrocha em hastes brilhantes.

A tintura obtida com 100 g de paciência crespa, macerada e misturada a um litro de álcool de 90°, de boa qualidade, é depurativo e tônico de primeira ordem. A tintura deve ser deixada em descanso durante um mês, a fim de adquirir essa propriedade, e se ministra misturada com água fresca, à razão de cinco gotas de cada vez, de manhã em jejum, antes da refeição do meio dia e antes de deitar. A raiz, macerada longamente com vinho, constitui um dos melhores antiscorbú-ticos. Diz-se mesmo que a raiz fresca, ralada e misturada, em partes iguais com o enxofre, é aplicada em fricções repetidas, cura a sarna. Certas autoridades indicam a paciência como antianêmica (a raiz em pó à razão de um grama ou dois por dia).

PACIÊNCIA (Rumex patientia, L.). A paciência comum, ou azêda-paciência, pertence à família das Poligonáceas, e é também conhecida sob os nomes de labaça, coenha e azeda–espinafre, por serem as suas folhas aproveitadas em culinária, como o espinafre. É uma planta que possui raiz forte, de folhas não perecíveis, e se dá bem nos lugares úmidos. Cresce em abundância nos campos, à beira de águas paradas e nos brejos. Possui hastes direitas e caneladas, com muitos ramos, e atingem, às vezes, 1 a l,50m de altura. Suas folhas são ovais, pon-tudas e onduladas, seguras por longo pecíolo. As flores são pequenas e esverdeadas e, na Europa, brotam de junho a agosto. Há diversas espécies de paciências, mas todas possuem virtudes depurativas, tônicas, sudoríficas, adstringentes, febrífugas e laxa-tivas. A tisana preparada com. a fervura, durante meia hora, em um litro de água, de 20g de suas raízes, tomada em doses de três xícaras por dia, é eficaz contra o eczema e as afecções da pele. Para uso externo, é excelente loção contra a tinha e as espinhas do rosto.

ONAGRA (AZnothera biennis, L.). Também chamada erva-dos-burros e enotera, a onagra é uma planta da família das onagráceas. Possui flores de cor amarela-enxofre, folhas verdes alongadas; atinge a altura de um metro ou pouco mais. Os ingleses dão-lhe o nome mais poético de “Evening star”, estre-la-da-tarde. A planta é originária da América do Norte, daí sendo transplantada, em 1619, para a Itália, onde as suas primeiras sementes germinaram num jardim de Pádua. Dizia-se, então, que ela não seria capaz de resistir ao clima e que jamais as lesmas do Velho Mundo a degustariam. .. Na América usava-se a onagra para curar afta e certas feridas. Pode ser empregada sob a forma de extrato fluido (hastes e folhas), contra a rouquidão, bem como a sua infusão, das flores secas, a qual se pode adicionar xarope de tolu ou de capilária (avenca).