
NOGUEIRA (Juglans regia, L.).
Família das Juglan-dáceas. A nogueira é uma árvore muito conhecida. Possui folhas compostas penadas. Seus frutos são envoltos em uma casca verde, que se torna preta ou marrom-escuro quando o fruto amadurece, sendo este utilizado na coloração de soalhos. A parte comestível é constituída pela noz, que serve ainda para o fabrico de óleo muito apreciado em algumas regiões. Seu nome, segundo se diz, provém dos romanos, que comparavam a forma de sua amêndoa ao cérebro de Júpiter: Juglans — glande de Júpiter. Conta a lenda que Mitrídate, famoso rei grego, imunizou-se contra venenos mediante o uso de nozes. Durante longo tempo o valor medicinal da nogueira teve caráter de lenda. Como a noz se assemelha aos lóbulos cerebrais, os médicos de outrora viram nesta imagem uma indicação para conjecturar que as nozes deveriam curar as moléstias da cabeça; mas tais inven-cionices não resistiram à obse uação científica. Entretanto, num dos últimos artigos do Dr. Leclerc, na revista de Fitoterapia, a respeito da nogueira, ele afirma que se as esperanças dos antigos médicos eram sem fundamento, a nogueira, no entanto, encerra princípios minerais, uma essência da inosita, da juglona, da ju-glandina e do tanino, com matérias resinosas e pécticas. Este com plexo químico confere às partes verdes do fruto da nogueira inegáveis efeitos fármaco-dinâmicos. É sobretudo ao tanino que deve a eficácia que lhe é reconhecida.

NENUFAR (Nymphea alba, L.).
Família das Ninfeá-ceas. O nenúfar-branco é planta ornamental que enfeita, na Europa, a maior parte dos logradouros públicos onde existam tanques ou espelhos d’água. Suas folhas são ovais, mas são as flores, de muitas pétalas de barneura imaculada, que constituem, principalmente, a beleza dos jardins e passeios, nas margens dos lagos e tanques. Em Medicina empregam-se as flores secas e as raízes, que são bastante grossas, semelhantes a um braço, e muitas vezes divididas. É conhecida também sob o nome de líric–dos-lagos ou lua-da-água. A raiz encerra tanino, ácido gálico, amido, sais e ácidos vegetais. A flor tem propriedades ligeiramente narcóticas e a raiz é mucilaginosa, calmante e emoliente. Mas desde os tempos antigos se atribui ao nenúfar as virtudes de “destruidora do amor”, e mesmo Plínio a recomendava como remédio para dissipar as insônias eróticas, afirmando-se até que os eremitas egípcios utilizavam a planta a fim de poder melhor suportar os rigores do celibato. Muitos médicos modernos zombavam desta virtude, mas outros que também não acreditavam nela acabaram comprovando a eficácia do nenúfar, inclusive em viúvas moças que se sentiam atraídas a práticas de atos que a consciência lhes reprovava. .. De modo geral elas foram curadas em menos de quinze dias, ficando livres da excitação sexual. Assim, o nenúfar teve confirmada a sua ação anafrodisíaca. Outros autores recomendavam a planta no tratamento das doenças dos rins e da bexiga, e na disenteria. A tisana de nenúfar dá resultado nas insônias, no delírio e nas perturbações do espírito. Com suas flores pode-se obter uma infusão calmante e béquica. As folhas frescas aplicadas sobre as feridas ajudam a cicatrização.

NASTURCIO (Nasturtium officinale, R. Br.).
Família das Crucíferas. O nastúrcio é conhecido há muitos séculos. Já nas canções de protesto, em Paris, nos idos de 1545, fazia-se referência ao nastúrcio, que se recomendava “para as pessoas desgostasas, mas não doentes (malades), nada melhor que o nastúrcio feito salada (salade)”. Toda a gente, na França, conhece esta planta, que pertence à mesma família do agrião, sendo este muito mais conhecido no Brasil, mas as suas propriedades e virtudes se eqüivalem, tanto lá como aqui; Na França existem plantações sistemáticas desse vegetal que se vende, a granel, não somente para fins medicinais mas também para o fabrico de extratos secos destinados à alimentação. A planta cresce espontaneamente à beira das águas correntes. Têm folhas de um verde carregado e as suas flores, em corimbos, são de um branco muito puro. Come-se o nastúrcio sob a forma de saladas, sem falar nos produtos industriais dele derivados. Usa-se o nastúrcio feito sopa com batatas. A análise química da planta revela traços de ferro, de manganês, sendo muito rica em iodo, e contém ácido ascórbico. É um antiscorbútico eficiente. Afirma-se que faz baixar a taxa de açúcar nos diabéticos e é empregado com proveito nas dermatoses. Fleury de la Roche diz que as placas escorbúticas e escrofulosas são rapidamente cicatrizadas com a aplicação sobre as partes ulcerosas de cataplasmas teitas com as suas folhas e caules. Na revista de Fitoterapia, de 1949 o Dr. Brel afirma que o nastúrcio tem ação muito eficaz sobre o couro cabeludo. Embora não se possa contar totalmente com a loção de nastúrcio para a cura da calvície, afirma-se que a cabeleira, sem dúvida, se beneficia claramente com o seu uso, melhorando a aparência rejuvenescendo-se e tornando-se mais forte. Conta-se que Xenofonte registrou o fato de os jovens persas, quando iam à caça, se alimentarem de pão com nastúrcio, e que São Luís, de passagem por Vernon, na França, ficou muito satisfeito quando lhe ofereceram uma salada desse vegetal.

MIRTILO (Vaccinium myrtillus, L.).
Família das Eri-cáceas. O mirtilo, também chamado arando, arandeiro, airela e uva-do-monte, é um arbusto abundante nos arredores de Paris, onde floresce nos meses de maio-junho, frutificando em julho.
0 seu fruto é que é utilizado. Todos os autores que tratam das plantas medicinais estão de acordo em reconhecer que a airela possui propriedades adstringentes incontestáveis, aliadas a virtudes antissépticas, que as fazem aplicáveis nos casos de ente-rites. O seu uso é indicado em forma de geléia, de compotas ou ainda em decocções concentradas, bem como na preparação de receitas farmacêuticas diversas. Reconhece-se na planta uma ação antidiarréica importante, sob a forma de extrato aquoso, além de possuir propriedades alimentícias. Contém igualmente um princípio antibiótico, que os antigos já reconheciam no mirtilo e que foi confirmado pelos sábios modernos. Nos casos de diarréia rebelde, Compain aconselha a seguinte receita: bagas de airela, 30g; flores de castanheiro, lOg; salicária, 30g; água,
1 litro. Deixar ferver durante dez minutos em uma vasilha de vidro ou de porcelana. Toma-se a decocção em xícaras de café cada 24 horas. A melhora é rápida e a cura se dá em 15 dias.

O grão torrado constitui sucedâneo do café e tem efeito laxativo. Para prepará-lo, tomam-se os grãos maduros, fazendo-os torrar como o café, e moê-los a seguir como o café. Duas ou três xícaras pequenas da beberagem feita com esse pó, depois de coada, evidentemente, tomadas de manhã em jejum, com açúcar e leite, durante quatro dias consecutivos, é remédio interessante para as pessoas que sofrem de prisão de ventre e de hemorróidas. É muito conhecido o uso que se faz das brácteas (palhas da espiga) para colchões e enxergas; as suas hastes queimam bem, depois de secas, e o sabugo da espiga tem a propriedade de absorver a umidade do ar (são higros-cópicos). Do milho se faz igualmente um xarope muito suavi-zante nos casos de defluxo e rouquidão. Prepara-se da seguinte maneira: cozinhar três ou quatro porções de grãos de milho em dois litros de água, até reduzi-la à metade, mexendo com uma colher de pau. Deixar esfriar, depois amassar e passar numa peneira fina. Põe-se de novo ao fogo, brando, adicionando-se 750g de açúcar, em panela de cobre, e deixa-se engrossar até à consistência de xarope.

MILHO (Zea mays, L.).
Família das Gramíneas. O milho também recebe o nome de trigo-da-turquia. Tem folhas largas e produz espigas macho e fêmea, que atingem cerca de 20cm de comprimento e até mais. Em Medicina o que se utiliza são os estigmas, ou cabelo-de-milho. Suas propriedades não eram conhecidas na antigüidade, pois somente a partir de 1879 é que há notícias sobre a sua ação terapêutica. O uso mais simples da barba-de-milho é feita em decocção, mas a experiência demonstrou que a eficácia do produto varia entre 5 e 30, segundo as características do terreno que o produz e o modo de sua cultura. Por isso, o milho também é empregado em forma de extrato, com a seguinte receita: milho, 25g (extrato), xarope de açúcar (melado), 275g. Deixa-se dissolver quente. Tomam-se de 2 a 4 colheradas de sopa por dia. Cada colher representa o equivalente a uma xícara de tisana preparada com barba-de-milho de boa qualidade. O milho contém, na sua barba ou estigma, sais de cálcio e de potassa, glúcide, estereoma e ceras que o tornam diurético e colagogo. O grão é alimentício, mas a sua farinha não é panificável. Ela não contém nicolato, reusltando daí ficarem sujeitos aos perigos da pelagra aqueles que consomem exclusivamente esse alimento. O grão contém glúcides, prótidos, reina e lípidos.

MENIANTO (Menyanthus tríjolia).
Família das Gencianáceas. O menianto é uma planta aquática. Possui virtudes emenagogas. As partes da planta empregadas são as folhas e as sumidades floridas e os rizomas. É excitante dos órgãos digestivos, um bom tônico e febrífugo. Sob a forma de poção, recomenda-se a seguinte fórmula: infusão de folhas de menianto, 150g; tintura de ruibarbo, 10g; bicarbonato de sódio, 5g; xarope de casca de laranja, 25g. Tomar uma colher de sopa do preparado cada duas horas. É medicamento eficaz contra o enjôo do mar, para o que se recomenda a dose de 10 a 15 gotas da tintura, num torrão de açúcar.

Pode-se fazer uma pequena cataplasma com ela e aplicar na parte afetada. Nas digestões difíceis, a infusão da menta presta serviços, na medida de 10 a 20g por litro de água. Margin e Millot dizem que os banhos aromatizados com menta surtem bons efeitos nos reumáticos. Os banhos em questão podem ser preparados da seguinte maneira: 200g de salva, timo, alecrim, hissopo e menta; num saquinho de pano colocar as plantas misturadas; deixar ferver em decocção na água e despejar a decoc-ção e pôr o saquinho.no banho. Tomar esse banho na temperatura de 35″? ou mesmo 401?, se possível, a fim de provocar abundante transpiração. Em seguida ao banho, fazer enérgica fricção com as plantas, envolver-se num penteador, sem se enxugar, e repousar, deitado, durante um quarto de hora. Para a fraqueza, a anemia e as convalescenças, pode a fórmula ser modificada da seguinte maneira: usar 50g de folhas de hera, flores de sabu-gueiro, alecrim, loureiro, salva e verbena. Deixar cozinhar durante 30 minutos, adicionando-se à decocção 200g de sal marinho. As infusões de menta incitam o apetite. Certos autores recomendam-na para os casos de eólicas do fígado, sendo também aconselhada para o tratamento da falta de menstruação ou quando se torna escassa, usando-se nestes casos a seguinte receita: macerar e deixar descansando, durante oito dias, em dois litros de vinho verde, uma pitada de cada uma das seguintes plantas, em partes iguais: menta silvestre, alecrim, salva e armoi-se. Passar num pano e conservar. Tomar o vinho, em jejum, à razão de uma taça de champanha durante dez dias precedentes ao período menstrual.

MENTA (Mentha piperata, L.).
Família das Labiadas. Existem diversas espécies de menta, mas todas possuem mais ou menos as mesmas propriedades; todas são aromáticas. Salvo a menta-poejo, que se aclimata nos campos distantes dos cursos de água, a maioria das plantas dessa espécie exige bastante umidade para se desenvolver, e algumas só crescem à margem dos riachos. Suas flores são de cor malva ou violeta, pequenas e mais ou menos irregulares, com dois lóbulos mal distinguíveis. Todas contêm mentol, às vezes até 50%, matérias minerais, tanino, ésteres, que é um composto orgânico derivado de um álcool, também chamado éter-sal, e mentona, que se obtém oxigenando o mentol. A planta é empregada como estomáquica, colerética, antispasmódica e vulnerária. Durante muito tempo atribuiu-se-lhe ação anafrodisíaca, mas as verificações hodiernas não confirmaram esta asserção e, pelo contrário, concluíram que as mentas têm antes um efeito excitante. Exceto a respeito deste ponto, a maioria dos autores concordam. Todos a recomendam, particularmente a hortelã-pimenta, que possui efeitos tônicos, excitantes, sendo o seu emprego útil contra a atonia do tubo digestivo. O mentol tem ação antisséptica e pode tmabém combater a intoxicação de origem gastrointestinal. Recomenda-se a administração da menta numa infusão na medida de 2 ou 3% preparada com a planta fresca, o que constitui bebida muito leve. O alcoolato (15 a 20 gotas numa xícara de água) resulta igualmente numa bebida muito fresca. A essência, aplicada sobre as partes doloridas, com leve massagem, alivia a enxaqueca, a nevralgia e a dor de dente. Afirma um autor que o suco da menta, associado com o do timo (tonilho ou erva-urso) e o da manjerona, acalma a irritação das picadas de mosquitos.

MELISSA (Melissa officinalis, L.).
Família das Labia-das. Sob o nome de melissa e de erva-cidreira é conhecida essa planta. É vegetal aromático, de cheiro muito característico que a torna facilmente reconhecível. Cresce ao longo dos caminhos. Suas folhas são de um verde-claro e suas flores são de cor branca, que quase não aparecem à vista por ficarem mais ou menos escondidas sob a folhagem. É chamada também citronela, por causa de seu odor e sabor semelhantes aos da cidra. A planta encerra tanino e um óleo essencial que contém citro e citronela, mas se forem colhidas as suas folhas após a floração elas exalam um odor a percevejo. Toda a planta é antispasmódica, cordial, sedativa, digestiva, estomáquica, anticefalálgica, vulnerária, car-minativa e estimulante. É indicada contra as digestões difíceis, as eólicas nervosas, as vertigens e os zumbidos no ouvido. Serve de base à água de melissa. Recomenda-se o seu emprego sob a forma de infusão (25 a 50g por litro de água, 3 a 4 xícaras por dia). A melhor fórmula de água de melissa, que pode ser facilmente preparada, é a seguinte: colocar numa vasilha de louça 3 litros de álcool a 30?, junto com 500g de brotos floridos de melissa, 125g de cascas de cidra, 15g de angélica. Depois de deixar macerando durante 10 dias, passar com força num de linho fino c adicionar ao líquido assim obtido 200g de coriande, 40g de nóz-moscada, 40g de canela, e 5g de cravo–da-índia. Deixa-se descansar e filtra-se o produto, restando apenas depois conservá-la em garrafas. A receita é recomendada por Fleury de la Roche.