EVÔNIMO
EVÔNIMO (Evomymus atropurpureus Jacq.).
Arbusto da família das Celastjáceas. O fruto é uma cápsula que, na deiscência, expõe as sementes de arilo escarlate; a casca seca da raiz é usada como catártico (purgativo).
Enciclopédia completa das Plantas Medicinais
EVÔNIMO (Evomymus atropurpureus Jacq.).
Arbusto da família das Celastjáceas. O fruto é uma cápsula que, na deiscência, expõe as sementes de arilo escarlate; a casca seca da raiz é usada como catártico (purgativo).
EUCALIPTO (Eucalyptus globulus Labill.).
Família das Mirtáceas. É uma grande árvore que cresce nos países quentes, embora se adapte às regiões frias. Possui folhas alongadas, em formato de língua fina e pontuda. Toda planta contém um óleo essencial — o eucaliptol — muito recomendado no tratamento da bronquite. É eficaz contra a febre nos casos em que a quinina não dá resultados. O Dr. Verley-Leclerc, em seu livro A cura pelas plantas, de 1954, indica o emprego do eucalipto sobretudo como essência, xarope, tintura ou em cápsula. Dele se extrai um princípio ativo injetável — a eucaliptina — que se pode ministrar em supositórios. Usa-se também como infusão das folhas, em inalações, na proporção de 20g num litro de água fervente.
Estãquida:
Ela cresce abundantemente nas margens dos riachos e dos lagos. Seu nome deriva do grgeo “Stachys” — espiga. Chamam-na ainda de urtiga-morta, porque não causa irritação na pele e tem, de longe, semelhança com a urtiga; também denominam-na urtiga-fedorenta, devido ao cheiro desagradável que exala ao serem esfregadas as suas folhas. As flores da estáquida são de cor avermelhada. Dizem que os porcos apreciam as suas raízes, grossas e carnudas, e na verdade estas contêm uma substância farinhosa muito alimentícia. Foi muito usada antigamente, sendo comprovada a sua ação antispasmó-dica semelhante à da balota. Acalma os espasmos das vísceras, as angústias, propiciando aos doentes noites repousantes. Os médicos a empregam com bons resultados para abrandar as dores que afetam algumas mulheres durante as regras. Os efeitos da planta parecem-se com os da ergotina, mas sem contra–indicações. É considerada, também, como um hipnótico e sedativo dos órgãos genitais, principalmente do útero, podendo ser usada sob a forma de infusão, na dose de um pequeno punhado da planta, três vezes ao dia. A betônica (stachys betonica, Beuth) possui propriedades análogas.
ESTÃQUIDA (Stachys palustris, L.).
Família das La-biadas. As estáquidas, seja a do brejo ou a do mato, são plantas muito comuns, a que se filia grande parte das plantas aro-máticas. Conta-se de um lavrador que, estando no trabalho, cortou-se com a foice, fazendo um ferimento profundo, e que conseguiu curar-se sozinho, colocando na ferida folhas esmagadas de estáquida misturadas com gordura, e mantendo-as aí com faixas feitas de sua própria camisa. O ferimento cicatrizou em pouco tempo e um médico, que se havia proposto cuidar do lavrador gratuitamente, ficou admirado quando este não quis aceitar os seus préstimos, porque — disse — o remédio que usara num momento de aflição já o havia completamente curado… Por isso a planta passou a ser também chamada de “cicatrizante-do-mato”.
Esporão:
Fornece madeira de estrutura anômala, branca, tecido compacto e fibras moles, porosa, macia, leve e elástica, de certo utilizável para bóias, flutuadores, etc, substituindo de algum modo a cortiça; tem grande emprego para arcos de barris (Jamaica). A raiz é purgativa, a decocção ou a infusão da casca e das folhas usa-se, externa ou internamente, para combater o reumatismo, a inflamação das articulações e as doenças venéreas. Espécie largamente espalhada em todas as regiões tropicais do globo; mais freqüentemente sobre o litoral, é decerto muito poliforma; entretanto, no Brasil, parece ter uma distribuição- geográfica restrita aos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, não atingindo o porto da planta e nem as dimensões das folhas mais que metade do normal. Utilizada algumas vezes para cercas. A propagação desta espécie é facilitada pelos frutos, extremamente viscosos, os quais se prendem à roupa das pessoas, ao pêlo dos mamíferos, às plu-mas das aves e até à sacaria empregada no transporte de quaisquer produtos.
ESPORÃO-DE-GALO (Pisonia aculeala L.).
Famüias das Mictagináceas. Arbusto excessivamente difuso, caule até 25cm de diâmetro, ou trepadeira grande, até lOm e caule de diâmetro menor; em qualquer caso, geralmente armado de numerosos espinhos fortes e recurvados, axilares, quase opostos, às vezes inerme; ramos numerosos,- sub-opostos, mais ou menos pêndulos, cilíndricos, ligeiramente estriados, finamente pubes-centes ou quase glabros; casca fina, Usa, cinzento-esverdeada, folhas pecioladas, opostas, elípticas, ovais, oblongo-ovais ou sub-orbiculares, agudas, curto-acuminadas ou obtusas no ápice, aguçadas, cuneadas ou, poucas vezes, arredondadas na base, até 14cm de comprimento e 6cm de largura, coriáceas, glabras ou excepcionalmente pubescentes nas duas páginas ou glabras na página superior e um pouco pubescentes na inferior; flores ver-de-amareladas (pardacentas, seg. Glaziou), as masculinas de perianto campanulado e as femininas de perianto tubuloso, reunidas em cimeiras densas, multiflores, dispostas em pequenas panículas axilares; fruto cariopse até 12cm de comprimento e 3-4mm de diâmetro, oblongo ou claviforme, arredondado no ápice, 5-anguloso, pubescente entre os ângulos e com estes glan-dulosos; glândulas viscosas.
Esponjeira:
Devemos ainda lembrar que o caule e os galhos exsudam quantidade elevada de goma, sob a forma de lágrimas transparentes, a qual passa por ser melhor que a “goma-arábica”, substituindo-a com vantagem e tendo várias outras aplicações nas Artes e na Medicina. A origem desta espécie é muito controvertida, posto haja agora tendência para reconhecê-la indígena do sul da Ásia; o indigenato vem sendo atribuído, conforme a época e os viajantes, à Austrália, à América tropical, à Angola e até à República Dominicana (pelo simples fato de ter sido coletado ali o exemplar-tipo); a verdade é que se trata de uma planta vulgaríssima em todas as regiões quentes dos dois hemisférios. No meio-dia da Europa é apenas e francamente subespontânea, como ocorre sempre que se faz durante longos anos uma determinação para uma espécie de cultura. No Brasil acha-se dispersa desde Pernambuco e Minas Gerais, até o Rio Grande do Sul e Mato Grosso, talvez muito mais freqüente nos dois últimos; em todos, porém, é cultivada, porventura mais intensamente em São Paulo, onde o próprio Governo, durante largo tempo, distribuiu gratuitamente muitos milhares de mudas. Desde quase um século que foi reconhecida a extrema afinidade da Acácia Farnesiana e Mimosa cavenia, até mesmo admitida a fusão das duas, para constituírem, como afinal parecem constituir^ uma só espécie botânica, sendo hoje bem conhecidas todas as formas intermediárias entre uma e outra, nada mais faltando que o encontro, no estado silvestre e no extremo sul do nosso continente (Brasil austral, Argentina, Paraguai, Uruguai, Patagônia, Chile), da A. Farnesiana que, aliás, aí existe em quantidades imensas, sempre parecendo não haver sido introduzida. Esta exigência, negando o cosmopolitismo das espécies, não podem mais persistir, visto que grandes autoridades, nos mais recentes trabalhos, confirmam outros anteriores, admitindo que se trata de uma só espécie com duas formas, distintas apenas por caracteres de pouca importância; na Farnesiana, considerada como tipo, os folíolos são maiores (2 a 4mm de comprimento) e as flores “mais aromáticas”. São, sob o ponto de vista botânico, mesmo muito rigoroso, tão insignificantes as diferenças, únicas constatadas, que não justificam o ter-se mantido uma tal dúvida durante dezenas de anos. A.A. cavenia será, quando muito, uma variedade, aliás não mais comum no Rio Grande do Sul, da Farnesiana. Até ulteriores estudos, podemos manter-lhe os nomes vulgares Espinilho, Nhandubay e Nhan-duvá, relembrando que, segundo Beille, a essência desta variedade contém 40-50% de “eugenol”, 8% de éter metisalicílico, 20% de álcool benzílico e um pouco de geraniol, sendo igualmente utilizada na perfumaria. A dureza da testa das sementes dificulta muito a sua germinação, por cujo motivo são sempre imergidas em água dois ou mais dias, friccionadas até desgastar a testa de.um lado, tratadas pelo álcool ou pelo ácido sulfúrico concentrado, etc; estudos recentes demonstraram de modo formal que se obtém a uniformidade de germinação e de crescimento lançando as sementes em água a ferver e cobrindo-as com sacos, em recinto fechado, durante três a quatro dias. No Sul de Mato Grosso e no vale do Rio Paraguai chamam espi-nillaes às extensões de terreno em que predominam esta espécie e a Prosopis algarobilla Griseb. Na Bahia chamam-na coroa–de-cristo e Coronacris; no Ceará, de coronha e em Mato Grosso e no Pará, de esponja. No Rio Grande do Sul dão-lhe a denominação de espinilho. Assim nos vários países ela é denominada de maneira diferente, sendo que nos Estados Unidos é conhecida como casha e em Cuba, como aroma amarilla. Outra espécie, a Parkia ulei Kuhlmann, árvore grande, às vezes muito alta (18m ou mais), ramos quase glabros ou aveludado-pubescen-tes e angulosos ou subcilindricos na parte superior, cilíndricos ou subcilindricos na inferior; folhas pecioladas, bipinadas até 21 cm de comprimento, pecíolo comum curto-aveludado-tomen-toso, munido de glândula grande, oblonga na base, angulosa, pinas 12-20 jugas, raque pubescente ou glabra; folhas 30-60 jugas; folíolos sésseis, lineares, oblíquos na base e arredondados ou subtruncados ou obtusos no ápice, glabros; flores perfumadas, reunidas em pequenos capítulos globosos, multifloros, pedunculados, primeiramente brancos e depois amarelados, ave-ludado-pubescentes enquanto jovens e dispostos em panícula terminal ampla, divaricada e de eixo anguloso; pedúnculos solitários crassos, angulosos; o fruto é uma vagem avermelhada. Na Amazônia chamam-na também paricá.
Planta esponjeira:
A casca é adstringente, tanífera a anti-rcumática, com emprego na indústria da tinturaria; as folhas, que passam por ser anti-odontálgicas e úteis nas afecções da bexiga, bem assim como na cura de chagas, secas e pulverizadas constituem, quando antes da floração, uma boa forragem que o gado procura, mas que algumas pessoas entendem conveniente evitar, porque tal forragem dá mau gosto à carne. Os frutos (vagens), conhecidos no comércio oriental pelo nome de Balibabulah ou balibulah, são ricos em tanino, exalam cheiro aliáceo idêntico ao da raiz e, além de servirem para o curtume e para tingir em preto, ainda a sua decocção ou o seu cosimento têm bom emprego como anti-disentéricos e úteis nas variadas doenças dos olhos, da garganta, das mucosas e da pele; a polpa que envolve as sementes, verde ou madura, é emoliente e empregada em em-plastros nos tumores e furúnculos, a fim de apressar-lhes a maturação; as sementes, julgadas excessivamente venenosas, foram antigamente utilizadas contra a hidrofobia e parece que, trituradas, dão um suco viscoso que serve também para soldar a louça quebrada. — Não obstante as diversas virtudes ou propriedades medicinais e industiais, que acabamos de assinalar, a verdade é que a única parte valiosa desta Mimosácea consiste nas suas flores, mais simpáticas do que belas, reputadas inseticidas e antispasmódicas, as quais perfumam as roupas e já entraram na composição de ungüentos contra as dores de cabeça e de infusões antidispépticas, culminando na água distilada, suavemente perfumada, a que se atribuíam outras propriedades, tais como estimulantes e afrodisíacas; estas flores, erradamente denominadas cássia flowers no comércio anglo-americano, são ricas em “farnesol” e fornecem 0,084% de óleo essencial ama-relo-esverdeado e viscoso (huille à la Cassie, dos franceses), de perfume igual ao da Violeta, porém mais intenso, de grande emprego na indústria de perfumaria da Europa, principalmente francesa, pois é a base de numerosa e talvez da maior quantidade de perfumes para lenços, assim como dos óleos fixos e pastas para toucador, ao mesmo tempo que é um dos elementos de prosperidade da Cote d’Azur, designadamente de Grasse, e também da lavoura da Argélia. As flores, mesmo secas, conservam o aroma e conseqüentemente mantêm sempre o seu elevado preço normal; um quilo de flores dá 3 a 4g de essência e uma planta adulta dá 500 a l.OOOg por safra, somente a França consome anualmente 150.000 quilos de flores, dos quais 20.000 vão da Argélia. Vê-se por esses números, num campo tão restrito, quão grande é o número de arbustos em plena produção.
ESPONJEIRA (Parhia ulei, Kuhl.).
Família das Legu-minosas, divisão Mimosácea. Arbusto grande, até 9m de altura, também árvore pequena, até 5m de altura e 45cm de diâmetro, de caule mais ou menos tortuoso, assim como os galhos, que são quase horizontais e emitem ramos e ramúsculos divergentes, contorcidos, formando em conjunto uma copa achatada, todos glabros, armados de acúleos espiculares, setáceos, gemi-nados, brancacentos, até 5cm de comprimento, muito rígidos; casca pardacento-ferruginosa, fendida, rugosa, suberosa nos indivíduos velhos; folhas composto-bipinadas dc 5-10cm de comprimento, com uma pequena glândula sobre o pecíolo e 5-8 pares de divisões primárias; pecíolo e raque comuns pubescen-tes; folíolos 10-25 pares, lineares ou linear-oblongos, obtusos, até 7mm de comprimento e lmm de largura, glandulosos, glabros, flores regulares, hermafroditas e com numerosos estames, muito perfumadas, de cor amarelo-vivo, dispostas em densos capítulos axilares e globosos, de 12mm de diâmetro, solitários ou geminados e desigualmente pedunculados; o fruto é uma vagem indeiscente subeilíndrica, oblonga, linear, curto-estipi-tada, estriada, intumescida, às vezes um pouco arqueada, gla-bra, até 7cm de comprimento e 15mm de largura, com gros-sura igual a esta última, contendo abundante polpa esponjoso–carnosa separando as sementes, que são duras e pardas, dispostas obliquamente em duas séries. Fornece madeira de alburno branco ou amarelado e cerne castanho-avermelhado ou vermelho com veios longitudinais escuros, exalando cheiro forte e agradável, muito fina e dura, grão compacto, raios visíveis, poros pequenos, singelos ou aos pares, de longa durabilidade, às vezes impropriamente chamada “pau-ferro”, de bom emprego, quando as dimensões o permitem, para dormentes, construção civil, esteios, carroçaria (especialmente eixos e rodas), cilindros para moendas e iguais peças de resistência, cabos para instrumentos, lenha e carvão, parecendo conter de 7 a 13% de tanino; peso específico 0,780 a 0,830. As raízes têm odor aliáceo e são consideradas antídoto do veneno que se supõe existir nas sementes, sendo que na Birmânia costuma o povo reduzi-las à pasta que aplica nos cascos dos animais como parasiticida, ao passo que no México (Potosí) muita gente acha-se convencida de sua propriedade no combate à tuberculose; o que está bem verificado é o fato de nelas se formarem c desenvolverem satisfatoriamente os nódulos causados pelas bactérias fixadoras de azoto, o que dá à planta certo valor como fertilizadora do terreno e explica o fato de sempre se haver julgado que ela é indício de terra boa para o plantio.
Espirradeira:
Ela contém os alcalóides “neriantina”, “neriantoge-nina”, “neriína”, “oleoanderina”, “pseudocurarina”, e “strofan-tina”; no todo ou em parte análoga a este último é a “digita-lina”, portanto com ação imediata e paralisante sobre o coração. 6 gramas do simples extrato do lenho e da casca (na casca existe a “rosaginina”), bastam para matar uma pessoa. As folhas contêm ácido-prússico, salicina e uma resina (talvez também exista nas flores) são reconhecidas como esternutatório e, se forem levadas à boca, causam aftas, de cura muito lenta. Entretanto, nos laboratórios, reduzidas a pó e infusas, constituem remédio, quando administradas em doses mínimas. É um tônico cardíaco. A sua maceração em óleo ou mesmo o seu cozimento curam as eezemas, as úlceras atônicas, os dartros e várias afecções da pele e do couro cabeludo, além de acabar com os piolhos e a tinha. A casca pulverizada mata os ratos e quaisquer tipos de insetos. Quando o gado a come, fica sujeito à paralisia e à superagitação.