
2) — Rubus fruticosus, L. — Também arbusto ramoso e de caules sarmentosos, até 5m de altura, angulosos e armados de fortes espinhos recurvados; suas folhas são compostas de 3-5-7 folíolos ovais, agudos serrados, verdes e glabros na página superior e pubescentes ou toconosos na inferior, peciola-das; suas flores são róseas ou brancas, bem grandes, singelas ou duplas, dispostas em racimos terminais, raras vezes sobre o caule; seu fruto subgloboso, comestível, são pequenas bagas pretas, luzidias, inseridas sobre receptáculo comum. Sua raiz e folhas são tônicas e adstringentes, úteis contra as anginas, estomatites, diarréia crônica, flores brancas e hemoptises, di-senteria, servindo aind para loções tônicas. As folhas contém tanino e albumina vegetal. Existem outras variedades. É planta originária da Europa, mas introduzida e largamente cultivada no Brasil. Na França tem os seguintes nomes: Moule, Mure de Rènard e Ronce Noire.

AMORA-PRETA
Planta essencialmente medicinal. Existem dela, duas espécies:
1) — Rubus brasiliensis, M. (R. occidentalis Vell.). — Dá um arbusto pequeno, até 2m de altura, armado de acúleos, folhas alternas, pinatífidas, 3-folioladas, folíolos ovais, dentados mais ou menos tomentosos, flores brancas ou verdes dispostas em panículas; seu fruto é roxo escuro composto de muitas drupas. Sua raiz é diurética e laxativa, contudo muito pouco usada. Suas folhas são diuréticas, além de outras virtudes que lhe descobriram os herbanários; suas flores, assim como seus renovos, são antispasmódicos e adstringentes, além de antidiar-réicos e antidesintéricos. Faz-se com essa planta verdadeiras maravilhas de cercas vivas. Seu fruto, tão conhecido nosso, é comestível, de ótimo paladar, rico em açúcar e muito útil para conter as diarréias de sangue, principalmente quando ingerido em jejum, pela manhã. Dele se faz vinho agradável. Possui a variedade organensis (R. organensis, Gardn.,), de frutos amarelados, que é espécie distinta. Vegeta até 2.000m de altitude (Pico do Itatiaia). Dá muito no Rio de Janeiro e em Minas Gerais; aliás em quase todo o Brasil a amoreira-preta é conhecidíssima.

AMOR-PERFEITO
(Viola tricolor, L.). O amor perfeito silvestre, ou violeta-tricolor, é uma pequena planta da família das Violáceas, que se assemelha quando nova ao amor-per-feito comum dos jardins. Chamam-na tricolor porque possui duas pétalas de cor violeta, duas amarelas e uma pétala branca. é encontrada às vezes em abundância nos campos e prados. Suas folhas são verdes, oblongas, dentadas. Colhe-se a planta na primavera. É preciso deixá-la secar com cuidado e guardá-la em caixas hermeticamente fechadas, como aliás se deve proceder com todas as plantas medicinais. É planta essencialmente epurativa. A sua análise química comprovou que contém ácido salicílico, flavonóide e um saporífero. Toda a planta é empregada em infusão ou decoeção (20 a 30g por 1.000), que deve ser ministrada em dois ou três dias. A raiz é levemente emética e a planta é um pouco laxativa e diurética.

Seus frutos, vagens de casca seca e amarela, fornecem sementes ricas em azeite de boa qualidade.
O amendoim verdadeiro (Arachis Hipogaea, L.) é planta de caules angulosos e flores amarelas que, às vezes, mostram estrias vermelhas.
A rama e as folhas possuem 13,48% de proteínas, 36,28% de hidratos de carbono e 15,06% de matérias graxas.
O óleo de amendoim contém 4,35% de ácido araquí-dico. . . depois da fecundação de numerosas flores e essas caírem, as pequeninas vagens mergulham na terra, por ela se entranham e aí se desenvolvem.
Ao arrancar-se a planta, aparece um feixe de frutos que simulam raízes, daí o nome científico e popular.
As sementes tão conhecidas são doces e oleosas servindo para uma quantidade de iguarias.
Das sementes se fazem também sabão e óleo para luz.
É planta oriunda do Brasil. Uso medicinal: as sementes são afrodisíacas e o óleo oferece muito emprego nas farmácias. (Meira Penna.)

Dessas sementes ou amêndoas extraem-se, respectivamente, o óleo de amêndoas doces (Oleum amygdalae dulcis) na proporção de 40 a 45% e o óleo de amêndoas amargas (Oleum amygdalae amaral) na proporção de 35 a 38%, sendo o primeiro deles emoliente, purgativo, e veículo de numerosos medicamentos (coqueluche e gripe), entrando também em diversas fórmulas farmacêuticas; seu peso específico é de 0,915 e o índice de saponificação 188-196.
Preparam-se com os dois óleos as correspondentes emul-sões ou “leite”, de uso médico e na toilette feminina, base de creme, sabões e pastas diversas, algumas destinadas a fazer desaparecer as manchas vermelhas da pele, o fétido dos pés e da axila, etc.
Da variedade amarga extraía-se, ainda não há muitos anos, a benzaldeíde, que agora se obtém do coltar e por um preço relativamente ínfimo.

O mesocarpo, enquanto verde, é forrageiro para o gado caprino, que o come com avidez; ultimamente, porém, verificou-se que suas cinzas são mais ricas em potassa (47,52% a 56,75%) do que quaisquer outras cinzas vegetais estudadas, sendo mais da metade carbonato, e por isso tem agora melhor emprego no fabrico de sabão (Ttólia).
O caroço é combustível de uso doméstico. Ê planta histórica, intimamente associada a várias facções da mitologia grega e cultivada pelo homem há cerca de 3.500 anos.” (Pio Correia.)
Outros vegetais com o mesmo nome: amendoeira-brava, (Prunus Aphaerocarpa, Sw.); amendoeira-da-India (Erminalia catappa, L.); amendoeira-do-Japão (Prunus japonica Thumb); amendoeira-de-espinho (Macombea guianensis, Aubl.); amen-doeira-do-Pará (Bertholletia excelsa H.B.K.); também chamada abricó-de-macaco.
A amendoeira-da-lndia é originária da Malásia e sua semente contém, segundo Leowkowitsch, 48,3% de óleo, com peso específico de 0,920 e o índice de saponificação de 203,04 (Hooper,).
Tanto a casca como a raiz são adstringentes. A raiz encerra 23% de tonino que fornece matéria corante. E 0 suco das folhas serve para combater eólicas. Quanto a madeira, é branca ou avermelhada, própria para obras de marcenaria.

AMENDOEIRA
Família das Rosáceas (Prunus amygdalus Stokes.).
“Árvore originária da África, e de casca rugosa, folhas alternas, flores róseas ou brancas.
O fruto é drupa esverdeada, que encerra uma semente, e a cortiça destila resina aproveitável.
Fornece madeira branco-rósea, própria para obras de torno e marchetaria, com este peso específico: 0,953 a 1,141.
A semente, a amêndoa, entra como matéria-prima no fabrico do licor Maraschino.
Há as variedades botânicas: óssea, A. durázea, de caroço espesso e duro; jragilis, A. molar, de caroço ainda mais tênue, desfazendo-se facilmente entre os dedos, e encontrando-se em qualquer delas as variedades praticamente denominadas dulcis e amara, a primeira de sementes (cotilédones) doces, acima referidas como frutos, e que encerram açúcar, goma, óleo graxo e emulsLna; e as segundas, encerrando tudo isso e mais diversas matérias resinosas e “amigdalina”, sendo esta diglicóside ben-zoilcianídrica que se desdobra e hidrata produzindo aldeído benzóico e ácido cianídrico, veneno fortíssimo.

Este leite é empregado ordinariamente em loções com o propósito de conservar o frescor da tintura, que se obtém da seguinte maneira: socam-se com uma peqeuna quantidade de água-de-rosas 40g de amêndoas doces até que se transformem numa pasta muito fina, adi-cionando-se-lhes depois mais 150g de água-de-rosas, proceden-do-se a seguir a filtragem e no líquido resultante dissolve-se um grama de benjoim. Informa-se, a propósito, em recente trabalho sobre matéria medicinal (1961) que as amêndoas doces contêm de 40 a 45% de diversos óleos, de emulsina, que entram na preparação da amigdalina. Michel Compain já dizia que a amêndoa doce é emoliente e ligeriamente laxativa. Trata-se, pois, da emulsão que contém, em suspensão, o óleo no leite de amêndoa doce. A própria casca da amêndoa é usada em decoeção (50 gramas por litro), sendo recomendada para os casos de coqueluche. O óleo de amêndoa doce pode ser dado aos recém–nascidos como laxante. É recomendada a amêndoa seca no tratamento das cezemas. Diz-se também que ela faz desaparecer as sardas. . . Para a preparação de tisanas com cascas de amêndoas, põem-se dois punhados num litro d’água, deixando ferver durante vinte minutos. Toma-se em xícaras pequenas no decorrer do dia. Para a tisana de folhas, usa-se a medida de uma colher de sopa por xícara, deixando-a em infusão durante dez minutos. Para o tratamento do fígado recomendam-se duas taças por dia e quatro para acalmar a tosse.

AMENDOA DOCE
(Amygdalus pérsica, L.).Éo fruto da amendoeira comum. Existem várias espécies, das quais principalmente são utilizadas como medicamento: a amêndoa doce e a amêndoa amarga. É originária do Sul da Europa ou Norte da África, e classificada na família das Rosáceas. Todas as partes dessa árvore são úteis no tratamento de moléstias, sobretudo como emoliente, para abrandar as inflamações. Tanto a sua casca, como o caule, as suas raízes, folhas e frutos contêm um pouco de ácido prússico ou cianídrico, veneno violento, ao qual, entretanto, se deve a sua virtude sedativa. A aplicação de folhas verdes maecradas, sobre as feridas, acalma a dor e tem o mesmo efeito nas queimaduras, contusões e em algumas dores de cabeça. A segunda casca é febrífuga, diurética e anti–helmíntica. A decoeção das folhas ou da casca constitui excelente purgativo, do qual, contudo, não se deve abusar. A amêndoa doce é alimentícia c muito usada pelos confeiteiros e com ela se prepara um xarope que se aplica nas inflamações para aliviar as dores. A fórmula desse medicamento é a seguinte: toma-se um quilo de amêndoas doces descascadas, misturam-se-lhe meio quilo de açúcar e um litro de água, depois de amassá-las. Coa-se a mistura num. pano fino e acrescenta-se ao líquido daí resultante mais 750g de açúcar e 250 de água de flor de laranja. Com as amêndoas doces também se prepara o leite de amêndoas, para cuja obtenção socam-se as amêndoas misturadas com algumas gotas de água. Com o líquido obtido de lOOg de amêndoas assim preparadas, depois de filtrado, misturam-se 2 litros de água contendo lOOg de agúcar nela diluído. O leite assim preparado tem a propriedade de acalmar a tosse, apaziguar a sede, cura irritação dos órgãos digestivos e aumenta todas as secreções. Obtém-se igualmente com as amêndoas doces o leite virgem

“Por seu teor em açúcar e hidratos de carbono torna-se a ameixa um auxiliar alimentício que substitui os azotados, quando forem contra-indicados.
Deste modo, a ameixa pode ser desassombradamente usada pelo reumático, pelo gotoso, pelo arterioscleroso, etc, empregada nos casos de medicamentos diuréticos.” (Eurico Teixeira.)
A análise química dessa fruta, quando fresca, revelou isto: água, 82; açúcar, 3,5; hidratos de carbono, 4,5; albuminóides, 0,5; ácidos, 1,5; cinzas, 0,6; celulose, 5.
Frisemos que a ameixeira silvestre, muito conhecida no Ceará, planta rica em tonino, e empregada para lavagem de feridas, ainda não foi estudada pelos botânicos.