
ARARUTA
Erva medicinal, cuja Pátria é o Brasil, onde vegeta em todo o seu território. Seu nome científico é Maranta arundinacea, L., da família das Marantáceas. Vivaz, de rizoma fusiforme com escamas aplicadas e caule articulado até 120cm de altura, folhas pecioladas e com longas bainhas foliáceas, ovais-lanceoladas, acuminadas com limbo de 10-20cm de comprimento e 5 a 8cm de largura, pubescentes na página inferior. Suas flores irregulares, pequenas, brancacentas, solitárias ou dispostas em panículas terminais irregulares, protegidas por brácteas invaginantes. Seu fruto plano-convexo, primeiramente baciforme e depois seco. Suas sementes são rugosas, vermelho claro e com arilo amarelo. O rizoma desta planta fornece a célebre farinha de araruta, muito nutritiva, delicada, inodora e analéptica e entra em todas as combinações que se queira fazer com leite e água, servindo ainda para muitos outros pratos como bolos, cremes, doces, biscoitos, etc. Muito útil na alimentação de crianças.

ARAÇÁ DO CAMPO
(Psidium cattleyanum Sabine). Pertence à família das Mirtáceas. É um arbusto de folhas opostas, oblongas, pecioladas, agudas na base e no ápice, coriáceas, de lOcm de comprimento c 5cm de largura; suas flores são brancas, dispostas em pedúnculos axilares, seu fruto é baga ovóide, amarela de 3-5 lojas contendo muitas sementes. Outros nomes científicos são Psidium araça, Raldi iGmijava guineensis, Ktze., G Popycarpa, Ktz., P. guineensis, Sw., P. minus, M.). Fornece madeira muito forte, própria para vigas, engradamento, moirões, cabos de várias ferramentas e instrumentos agrícolas; serve para lenha e carvão de alto poder calorífero. Sua raiz é antidiarréica, diurética e a casca serve para curlume. Suas folhas, principalmente os brotos, são adstringentes e fornecem matéria tintorial. Seus frutos são comestíveis, também adstringentes, ricos em matéria sacarina, mucilaginosos, nutritivos e corroborantes dos intestinos, muito usados c apreciados para doces. Na sua casca existe uma substância cerácea que falta nas outras espécies. Seu fruto tem o sabor parecido ao do morango servindo para doces em massa idêntico à marmelada, cujo consumo é enorme no Brasil. Chama-se “araçàzada”. É cultivada no Brasil desde as Guianas até São Paulo. Muito apreciado e cultivado também no estrangeiro. Em Minas Gerais há a espécie Sampaionis (fruta-de-pomba). No Pará chamam-na aracaíba, araçá-pedra ou araçaí.

As sementes de anis maceradas prolongadamente em aguardente produzem um licor conhecido sob o nome de ani-sete, muito eficaz contra as digestões difíceis. O pó das sementes de anis, misturado em partes iguais com o pó do carvão de álamo ou choupo e quina, constitui excelente dentrifrício, que dá aos dentes perfeita brancura e tonifica as gengivas. Ê indicada pelo Dr. Verley-Leclerca seguinte receita contra a aero-fagia: cinzas peneiradas de folhas de absíntio, 6g; cinzas peneiradas de “prele”, 6g; essência de anis-vrde, 3 gotas. Tomar meia hora antes das três refeições principais do dia a vigésima parte da mistura. Como xarope depurativo o mesmo autor recomenda, juntamente com a salsaparrilha, o seguinte xarope: salsa-parrilha, lkg; flores secas de borragem, 60g; pétalas de rosa branca, 60g; folíolos de sene, 60g; frutos de anis-verde, 60g; açúcar branco, lkg; mel de abelha, lkg. Despejar sobre a mistura das plantas indicadas um litro de água fervente. Deixar em contato durante 12 horas, depois reduzir à consistência de xarope. Adicionar um litro de água fervente e o mel e levar ao fogo branco até adquirir a consistência xaroposa. Tomar 5 a 6 colheradas por dia.

ANIS-VERDE
(Pimpinella anisum, L.). O anis-verde, a que outrossim chamam erva-doce e pimpinela, é uma planta da família das Umbelíferas. É planta anual muito comum, sendo largamente cultivada. A parte medicinal reside sobretudo nos frutos. Emprega-se sob a forma de infusão (15g de sementes ou 30g de folhas por quilograma de água). É um estimulante dos mais úteis, excita suavemente o sistema nervoso e combate a atonia do aparelho digestivo. É dotada de propriedades esto-maquicas, expectorantes, diuréticas, cmenagogas bastante pronunciadas. É usada às vezes como antispasmódica. Alguns autores afirmam que a infusão de anis tomada em jejum aumenta sensivelmente o leite das mães que amamentam os seus pim-polhos

ANIS
Família das Umbelíferas (Pimpinella anisum Hook.).
Erva originária do Egito, flores brancas, dispostas em umbelas, e frutos ovóides ou elipsóides.
“Esta planta é o verdadeiro Anisum das farmácias: fornece frutos aromáticos, doces e picantes, que constituem enérgico coraminativo e excelente estimulante gastrointestinal; parece que aumentam a produção de leite e a emissão de urina, dando a esta cheiro desagradável e tendo ação direta sobre aquele quando ingerido pelas senhoras que amamentam.
Eles encerram, além do princípio particular Anisulmina, estearina, óleo graxo e a essência de Anis, que é o conhecido óleo volátil e incolor com o peso específico de 0,990 e solidificação à 17,5°C, ao qual a planta deve suas múltiplas virtudes terapêuticas c por isso tem largo emprego na farmacopéia, seja como base de preparados, seja como veículo ou simples aro-matizante de outras substâncias.” (Pio Correia.)
Galeno recomendava o anis como estomacal e antiflautu-lento e Hipócrates dizia que ele era diurético.
Pitágoras atribuía-lhe a faculdade de facilitar o parto e prevenir a epilepsia.

ANGICO
Nome genérico de diversos vegetais, da família das Mimosáceas, encontradas desde o Maranhão até o Paraná e grandes fornecedoras de tonino.
Entre os angicos se salienta o Piptodenia colubrina, Bth, árvore de caule liso, com quinze metros de altura, casca grossa, pardo-escura, folhas compostas e flores quase brancas, grupadas em capítulo.
O fruto é comprido e coriáceo. “A casca é amarga, adstringente, alterante, depurativa, hemostática, útil nas leucorréias e gonorréias, com ação sobre as fibras do útero; encerra 32% de tanino e tem emprego na indústria do curtume.
Dela exuda goma sucedânea da goma-arábica, empregada na indústria, e também contra as afecções pulmonares e das vias respiratórias.
É planta melífera: o mel produzido pelas abelhas que se alimentam de suas flores é claro e de superior qualidade.” (PioCorreia.) O angico é muito comum nas margens dos nos e a sua goma é usada como espessante na estamparia de tecidos do feda como calóidc e emulsionante na indústria farmacêutica, como aglutinante na preparação de briquetes de carvão mineral e ainda no preparo de chapas fotográficas, sensibilizadas com bicromato de potássio.

Quando a maceração estiver completa, coar num pino de linho, juntando-se a seguir um litro de melado de açúcar, depois do que o produto assim obtido é filtrado e colocado em frascos para conservar. A fim de saturar as hastes da angélica, deve-se cortá-las em pedaços de cerca de 5cm, levando-os ao fogo forte com água numa vasilha de cobre. Deixa-se ferver durante meia hora. Retira-se do fogo e separam-se das hastes as suas partes fibrosas, voltando a colocá-las no fogo em seguida, até que se tornem tenras ao toque. Passa-se a seguir em água fresca diversas vezes e deixa-se escorrer. Torna-se a levar pela terceira vez ao fogo misturada com melado de açúcar de peso igual ao das hastes, deixando-se ferver ainda por meia hora. No dia seguinte despeja-se o xarope sobre as hastes, renovan-do-se a operação durante cinco dias seguidos. Resta então deixar secar as hastes na estufa e as conservar polvilhadas de açúcar, em latas. As folhas da angélica são empregadas em cataplasmas em casos de contusão. Elas perdem, ao secar, esta propriedade. A planta sc adapta às boas terras de jardim e desenvolve-se bem nas regiões quentes. Multiplica-se por sementes.

ANGÉLICA
(Angélica archangelica L.). Conhecida sob os nomes de erva-de-espírito-santo, raiz-do-espírito-santo, e polianto, a angélica é uma planta de porte alto, pertencente à família das Umbelíferas. Suas hastes, saturadas de açúcar ou vinagre, são apreciadas pelos confeiteiros e pasteleiros e servem para a decoração dos seus produtos. Tônico, emenagogo, car-minativo, excitante, antispasmódico, e estimulante do tubo digestivo. Ao que parece, os antigos empregavam-na contra a cefalalgia, e também para tonificar o coração. Todos os autores concordam em que a planta possui numerosas propriedades. Fabrica-se com a angélica um licor que possui as virtudes das infusões e das tisanas. Para se preparar esse licor cortam-se 30g da planta em pedaços pequenos, deixando-se 4 ou 5 dias em maceração em dois litros de bom conhaque, juntamente com 30g de amêndoas amagas amassadas e reduzidas a pasta.

ANABI
Família das Loganiáceas (Potalia amara Aubl.).
Arbusto originário da Amazônia, com folhas curto-pecio-ladas, flores brancas, campanuladas, dispostas em cimeiras.
A infusão dos ramos novos é anti-sifilítica e “o decocto das folhas, graças às suas propriedades adstringentes e muci-laginosas, é também útil contra as oftalmias ou conjuntivites e doenças das pálpebras”

AMOREIRA-PRETA
(Morus nigra, L.). É árvore originária do Levante, pertencente à família das Moráceas. Pode atineir 5 a lOm de altura. Tem propriedades semelhantes às de sua aparentada, a amoreira-branca, mas não é empregada contra a diabete. Dizem que as folhas da amoreira são o aumento exclusivo do bicho-da-seda e que, na época de Henrique IV Olivier de Serres introduziu a sua cultura na França. Do ponto de vista medicinal, a amoreira-preta, assim como a branca, é utilizada em todo o mundo. A decoeção de sua casca (30 a 60g por litro de água ou de vinho) tem efeito purgativo. Misturada com a raiz da romãzeira, a casca serve para o prepara de uma tisana muito eficaz contra a solitária. As folhas da amoreira–preta, em infusão na medida de 40 a 80g por litro, são um bom febrífugo. A decoeção concentrada das folhas, usadas para gargarejos, acalma a dor de dente. Com os frutos faz-se uma bebida refrigerante muito aprecida. É a seguinte a receita que nos fornece Fleury de la Roche de um xarope de amoras, freqüentemente empregado como peitoral e adstringente: esmagar as amoras para extrair o suco; filtrar o suco e deixar em fogo brando; acrescentar açúcar, na proporção do dobro do peso do suco (de preferência açúcar em tabletes.) Deixar a mistura engrossar até à consistência de xarope normal e guardar em garrafas hermeticamente fechadas. Este xarope é útil contra o defluxo e a diarréia e tem, além disso, a virtude de eliminar os vermes intestinais. Em mistura com água de cevada constitui um bom gargarejo contra as ulcerações da garganta.